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Ferrovias

Brasil pede adesão a tratado que reduz custo de leasing de vagões

23 de abril de 2026 às 9:43
Mariana Nerome Enviar e-mail para o Autor

Protocolo de Luxemburgo cria registro global de composições e reforça direitos de credores em momento de renovações de concessões por 30 anos

O governo brasileiro solicitou adesão ao Protocolo Ferroviário de Luxemburgo, tratado internacional que barateia o leasing de vagões e locomotivas usados por concessionárias de ferrovias. O ministro dos Transportes, George Santoro, confirmou o pedido à CNN e explicou que o acordo reduz custos financeiros em momento de investimentos de bilhões de reais pelas operadoras.

O Protocolo Ferroviário de Luxemburgo entrou em vigência em 2024 e criou o sistema integrado e permanente de registro de composições ferroviárias. O mecanismo facilita o rastreio de vagões e locomotivas pelo mundo, permitindo que credores localizem ativos rapidamente.

O tratado também reforça globalmente os direitos dos credores e fornecedores em caso de inadimplência. Essa proteção permite recuperação mais rápida dos ativos quando operadores ferroviários deixam de pagar. A segurança adicional para quem financia ou aluga equipamentos se traduz em taxas menores cobradas das concessionárias.

SETOR FERROVIÁRIO BRASILEIRO

A redução de custo ganha importância no contexto atual do setor ferroviário brasileiro. Concessionárias que renovaram contratos por 30 anos comprometeram investimentos de bilhões de reais em modernização e expansão de malhas.

A Rumo (Malha Paulista), MRS Logística e Vale (Estrada de Ferro Carajás e Vitória-Minas) renovaram concessões recentemente. A VLI negocia na reta final o processo para renovar a concessão da FCA (Ferrovia Centro-Atlântica), que vence em agosto, segundo a reportagem da CNN Brasil.

Essas empresas precisam adquirir ou alugar locomotivas e vagões para cumprir compromissos de investimento assumidos na renovação. O barateamento do leasing reduz o custo total dos projetos e melhora a viabilidade econômica das operações.

Acordo Mercosul-UE

O ministro também relaciona a entrada em vigência do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia a novas oportunidades para o setor. A importação de trilhos de países como Áustria pode ficar mais acessível do que o material trazido da China, hoje predominante nas ferrovias brasileiras.

Santoro aponta ainda que equipamentos ferroviários produzidos no Brasil podem se tornar competitivos no mercado europeu. A isenção de alíquotas de importação pela UE abre possibilidade de exportação de vagões, locomotivas e componentes fabricados no país.

O ministro enxerga dupla oportunidade no acordo com a Europa. O Brasil importa trilhos mais baratos e exporta equipamentos ferroviários, movimento que equilibra a balança comercial do setor e estimula a indústria nacional de material rodante.

 

 

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TAGS BRASIL Ferrovia locomotivas
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