Conselheiro Nacional de Minas e Energia defendeu a construção de Angra 3 e uso da matriz limpa brasileira como instrumento geopolítico
O estado do Rio de Janeiro reúne condições únicas para se tornar destino de investimentos industriais e tecnológicos, em especial de data centers, segundo o Conselheiro Nacional de Minas e Energia e ex-diretor-presidente de Furnas Centrais Elétricas, Luiz Carlos Ciocchi. A avaliação foi feita durante o Rio de Janeiro Export, fórum promovido pelo Grupo Brasil Export nesta terça-feira (28).
“O Rio de Janeiro é a capital da energia”, afirmou Ciocchi. Na sua avaliação, o estado concentra petróleo, gás, energia nuclear, potencial eólico offshore e conexão direta com todas as regiões do Sistema Interligado Nacional, o que o coloca em posição privilegiada no mapa energético do país.
ANGRA 3
Um dos pontos mais diretos da apresentação foi a defesa da conclusão de Angra 3. Para Ciocchi, a discussão se arrasta sem necessidade. “Temos que construir, temos que garantir essa energia não só para o estado do Rio de Janeiro, mas para o Brasil todo”, disse. Segundo ele, o país detém domínio completo da cadeia do urânio e conta com a experiência da Marinha do Brasil no setor.
“Portanto, o Rio de Janeiro é realmente a capital de energia e deve explorar, pois, com a energia, nós vamos conseguir fazer o desenvolvimento econômico dos transportes, portos a aumentar as nossas exportações e importações de uma maneira sólida e segura”, explicou.
VANTAGEM
No campo geopolítico, Ciocchi apontou o que considera um erro estratégico do Brasil; não usar a matriz energética limpa como argumento de atração de investimentos estrangeiros. “Qualquer produto produzido aqui no Brasil é mais verde do que qualquer produto produzido em qualquer outro lugar do mundo”, disse. Para ele, essa vantagem comparativa existe, mas não é usada como instrumento de política externa nem de promoção comercial.
O conselheiro citou o caso alemão como contraponto. A Alemanha apostou no gás russo como pilar da transição energética e, segundo ele, hoje reconhece o erro estratégico da decisão. O Brasil, ao contrário, já possui uma matriz diversificada e renovável que outros países planejam alcançar apenas em 2050.