Decisão entra em vigor em 1º de maio e reflete estratégia para ampliar produção e responder à demanda global
Os Emirados Árabes Unidos anunciaram que deixarão a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e o grupo ampliado Opep+. A decisão foi confirmada pelo ministro da Energia e Infraestrutura, Suhail Mohamed Al Mazrouei, e deve entrar em vigor em 1º de maio.
Segundo o ministro, a medida reflete uma mudança estratégica alinhada aos fundamentos de longo prazo do mercado. Ele também agradeceu às décadas de cooperação com os países do bloco e afirmou que o país continuará comprometido com a segurança energética global, fornecendo petróleo de forma confiável, responsável e com menor emissão de carbono.
A saída já havia sido antecipada pela Bloomberg e está ligada à intenção dos Emirados de responder com mais flexibilidade às mudanças na demanda global, incluindo um aumento gradual na produção. O próximo encontro da Opep está marcado para 3 de maio.
O anúncio ocorre em meio a um cenário de instabilidade no mercado internacional de energia. No mesmo período, fatores como o fechamento do Estreito de Ormuz pressionaram os preços do petróleo. Durante o dia, o barril do tipo Brent chegou a US$ 111, o maior valor das últimas semanas. Tradicionalmente, a Opep atua controlando a produção para influenciar os preços da commodity.
Os Emirados Árabes Unidos integravam a Opep desde 1969, mas vinham adotando posições divergentes dentro do bloco, especialmente em relação às respostas aos ataques iranianos no início do conflito recente, o que contribuiu para a decisão de saída.
Analistas internacionais avaliam que a medida representa uma vitória política para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que criticava a Opep por supostamente explorar outros países. Em meio ao conflito, Trump chegou a afirmar que o governo iraniano estaria próximo do colapso.
Autoridades iranianas, no entanto, contestaram essa avaliação. O porta-voz do exército, Mohammad Akraminia, afirmou que o país não considera a guerra encerrada e permanece em estado de alerta, mantendo treinamentos militares e produção de equipamentos.
Diante da escalada de tensões, a presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, Annalena Baerbock, pediu um cessar-fogo definitivo e a reabertura do Estreito de Ormuz, destacando que essas medidas são importantes para reduzir a pressão sobre os preços dos combustíveis e dos alimentos.