Embarcação da Classe “Macaé” atuará no 4º Distrito Naval com foco na Margem Equatorial e incorporação prevista para segundo semestre
A Marinha do Brasil lançou na última segunda-feira (27) o Navio-Patrulha “Mangaratiba” (P73) durante cerimônia no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. O evento marcou a retomada do estaleiro como polo de construção naval no país e reforçou a capacidade de defesa das águas jurisdicionais brasileiras e da Amazônia Azul.
Segundo a Marinha do Brasil (MB), o lançamento integra o Programa de Obtenção de Navios-Patrulha (PRONAPA), inserido no Novo Programa de Aceleração do Crescimento. A iniciativa visa fortalecer as capacidades operacionais da Força e ampliar a presença do Estado em áreas estratégicas como a Margem Equatorial e a foz do Rio Amazonas.
O Comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen, apontou impactos estratégicos e econômicos do Programa. “O PRONAPA delineia efeitos socioeconômicos relevantes, a geração de empregos diretos e indiretos com potencial incremento científico e tecnológico da Base Industrial de Defesa”, afirmou.
Para ele, a área de atuação do navio intensificará os desafios à soberania, demandando presença efetiva e vigilância permanente do Estado Brasileiro.
BATISMO
A Secretária-Geral do Ministério da Defesa, Cinara Wagner Fredo, batizou o Navio-Patrulha durante a cerimônia. O batismo integra tradição secular da Marinha, normalmente realizado no lançamento de navios de guerra. O ato consiste na quebra de garrafa de espumante no casco por uma madrinha, momento em que o navio recebe oficialmente seu nome antes da incorporação à Marinha.
Após a cerimônia, o “Mangaratiba” seguirá para provas de cais, provas de mar e mostra de armamento. Esta última marca a transferência para o setor operativo. A incorporação ocorre no segundo semestre deste ano.
CONSTRUÇÃO
A construção do “Mangaratiba” começou em um estaleiro civil e foi concluída no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. De acordo com a Marinha, a transferência permitiu a finalização estrutural e a instalação dos sistemas de propulsão, elétricos, de navegação, de comunicação e de armamento no estaleiro da força armada.
Ainda segundo a MB, os navios-patrulha da Classe “Macaé” operam em missões de patrulhamento marítimo e fluvial. A embarcação tem autonomia de aproximadamente 2.500 milhas náuticas (cerca de 4.000 quilômetros) e capacidade para tripulação de 51 militares. As operações incluem inspeção naval, busca e salvamento, apoio a populações em áreas isoladas e proteção de instalações como plataformas de petróleo e gás.
O Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro já iniciou a construção do Navio-Patrulha “Miramar” (P74), quinto da Classe “Macaé”, com lançamento previsto até 2028. O projeto utilizará a experiência adquirida com o “Mangaratiba”, com possibilidade de aperfeiçoamentos que tornam o processo construtivo mais eficiente e consolidam a capacidade do Arsenal na produção de navios desse porte.