Com tarifas reduzidas ou zeradas para mais de 5 mil itens, o tratado entre os dois blocos favorece diretamente a pauta exportadora da região, que movimentou US$ 24,8 bilhões no exterior em 2025
O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia entra em vigor nesta sexta-feira (1º de maio) e muda as condições de acesso de produtos nordestinos ao mercado europeu. Frutas frescas, castanha de caju, mel, cera de carnaúba e alimentos industrializados, segmentos com peso relevante na produção regional, passam a operar com alíquotas reduzidas ou zeradas para os 450 milhões de consumidores do bloco. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que mais de 80% dos produtos brasileiros exportados à Europa terão tarifa zero já nesta fase inicial, num total superior a 5 mil itens.
A mudança favorece o Nordeste num momento em que a região registrou seu maior volume exportado em três anos. Segundo o Data Nordeste, plataforma da Sudene, as exportações regionais somaram US$ 24,8 bilhões em 2025. Os produtos do reino vegetal lideraram a pauta, com US$ 6,9 bilhões, seguidos por minerais (US$ 4,6 bilhões) e alimentos industrializados (US$ 2,1 bilhões). Para a Europa, os Países Baixos foram o principal destino, com US$ 1,19 bilhão em compras da região.
O estado cearense concentra a maior exposição direta ao novo cenário. As exportações do estado somaram US$ 2,28 bilhões em 2025, dos quais US$ 447 milhões tiveram a União Europeia como destino, 19,5% de toda a pauta estadual. O agronegócio respondeu por US$ 150 milhões desse fluxo.
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), Amílcar Silveira, afirmou que a meta é dobrar esse volume nos próximos anos, com o bloco europeu no centro da estratégia.
OBSTÁCULO
Porém, até o momento, nem todos os setores da cadeia produtiva regional estão em condições de aproveitar a abertura de imediato. O setor de pescados — que inclui camarão, peixes e lagosta — permanece bloqueado por uma restrição sanitária da União Europeia em vigor desde 2018.
Enquanto essa vedação não for derrubada, a desgravação tarifária negociada pelo acordo não produz efeito prático para a pesca nordestina, embora tratativas estejam em andamento.
Para os demais setores, o prazo de adaptação das tarifas varia. Itens classificados como sensíveis têm redução gradual de até dez anos no lado europeu e até quinze anos no Mercosul. Em categorias ligadas a novas tecnologias, o prazo pode chegar a trinta anos.