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Aviação

Abra questiona operação entre Azul e American Airlines e pede ingresso no Cade

Atualizado em: 30 de abril de 2026 às 10:39
Da Redação Enviar e-mail para o Autor Estadão Conteúdo

Grupo alega possível aquisição coordenada de controle e levanta preocupações concorrenciais no mercado Brasil-EUA

Ao pedir habilitação como terceira interessada na operação envolvendo a Azul e a American Airlines, em análise na Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (SG-Cade), a Abra levanta dúvidas sobre questões de controle. O grupo, que controla a Gol e a Avianca, diz que a operação não corresponde a um mero investimento passivo da companhia americana na brasileira.

“A verdade é que a operação deve ser analisada no contexto de uma aquisição coordenada de controle de um concorrente em rotas aéreas entre Brasil e Estados Unidos — a Azul — pelo líder histórico de tal mercado — a American Airlines — e por sua respectiva principal concorrente nos Estados — a United Airlines”, sustenta a Abra na petição apresentada ao Cade.

A Abra alega dano antitruste em relação à operação, em razão, especialmente, da criação de um Comitê Estratégico na governança da Azul, o que, segundo a empresa, evidencia que a operação não corresponde a uma mera participação societária minoritária sob a ótica antitruste. “Na verdade, a operação possibilitará — de fato e perenemente — controle, por parte da American Airlines — e, conjuntamente, também por parte da United Airlines, Inc. —, em discussões e matérias estratégicas e importantes na Azul, inclusive a respeito de decisões e questões comerciais, empresariais e de negócio”, diz o grupo latino-americano na petição.

Para a Abra, embora formalmente notificada ao Cade como uma mera aquisição de participação societária minoritária sem controle, a operação Azul-American não pode ser analisada como um simples investimento financeiro passivo. “O fato é que a operação está inserida em contexto mais amplo e profundo de alinhamento e aproximação entre concorrentes relevantes em transporte aéreo entre Brasil e Estados Unidos”, prossegue.

Outro ponto apontado pela Abra é de que a operação junta três das cinco principais companhias aéreas atuantes no mercado, responsáveis, historicamente, por mais de 50% dele. Além disso, o grupo afirma que a operação compromete a contestabilidade do mercado ao dificultar, ou mesmo passar a impedir, acordos, como, por exemplo, de codeshare e interline, entre outras companhias brasileiras, de um lado, e American Airlines, United Airlines e Delta Air Lines — já parceira da Latam —, do outro lado. “Tal cenário tende a gerar prejuízos concretos aos consumidores brasileiros, na medida em que pode reduzir a variedade de O&Ds (pares origens e destinos) disponíveis”, completa.

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