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Sudeste Export

Com tarifaço, América Latina precisa redirecionar exportações

3 de abril de 2025 às 6:45
Cássio Lyra Enviar e-mail para o Autor

Em painel do Latam Export, especialista alerta que novos mercados, como África e Sudeste Asiático, devem ser explorados

O especialista em geoeconomia corporativa e sócio da empresa francesa Alagan Partners, empresa com foco em estratégias de mercado, Nicolas Michelon, defendeu que operadores portuários da América Latina devem diversificar as relações comerciais e buscar mercados que ainda são pouco explorados, mas que possuem grande potencial. O especialista afirmou que os exportadores da região terão de redirecionar suas cargas e investir em novas rotas geográficas visando o desenvolvimento econômico.

A fala de Michelon, durante o Latam Export – Fórum Internacional de Logística, Infraestrutura e Transportes, realizado no Rio de Janeiro, ocorreu após o anúncio de tarifas de importação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que atingem países da América Latina, da Ásia e da União Europeia.

“Minha mensagem para os operadores portuários, não só eles, mas também todas as companhias envolvidas com transporte, logística e infraestrutura crítica, é criar resiliência diversificando as relações e as dependências. Há muitos mercados pouco explorados. Me vem à cabeça o exemplo da África. No Sudeste Asiático, há um país que não pode ser esquecido: a Indonésia. No momento, as projeções de desenvolvimento para a Indonésia são enormes. Essa é a mentalidade que a economia da América Latina precisa desenvolver de uma forma mais agressiva”, pontuou.

A decisão de impor tarifas a outros países foi anunciada por Trump logo nos primeiros minutos após reassumir a Casa Branca, em janeiro. Para o especialista, a presença de Trump representa uma oportunidade para o comércio da América Latina.

painel sobre crises globais Latam Export

Durante um dos painéis do Latam Export, os debatedores alertaram para a necessidade de diversificação comercial na América Latina diante do tarifaço do presidente Donald Trump. Foto: Divulgação/Brasil Export

“Eu argumentaria que o presidente Trump é uma boa notícia para a América Latina, assim como para a Europa. É uma espécie de despertar muito útil para todos nós. Precisamos diversificar nossas relações. A era de se confiar na economia americana, o tempo de confiar na proteção dos EUA aos militares na Europa, acabou. Isso nos enfraquece. Então, acredito que, em termos geopolíticos, devemos encarar isso como uma boa notícia”, declarou.

No debate sobre os efeitos das crises globais e os impactos diretos na cadeia do setor produtivo a partir dos portos, com foco especial na América Latina, Michelon afirmou que as tarifas terão um impacto direto, tornando necessária a busca por alternativas para os exportadores.

“Os países que estão na lista da Casa Branca terão que procurar alternativas para vender nos EUA. Eles podem não ser capazes de substituir os americanos como destino final dos produtos, mas terão de buscar outros mercados, o que terá um impacto direto nos fluxos comerciais. A questão que fica para os operadores portuários da América Latina é o quão preparados estarão para esses redirecionamentos de fluxos de cargas e quanto esses operadores têm investido em diferentes geografias para proteger suas economias e diversificar suas exportações. Isso já tem ocorrido com frequência na região do Golfo (Pérsico) e na Ásia, próxima ao oceano Pacífico. Acredito que muito mais precisa ser feito na América Latina”, argumentou.

O painel contou com a participação de Raquel Kibrit, diretora-executiva da Associação Internacional de Desenvolvimento Portuário (Iaports) e presidente do conselho do Latam Export; José Luiz Niemeyer Filho, professor de relações internacionais do IBMEC Rio; e Mauro Sammarco, sócio-diretor do Brazil P&I. A moderação ficou a cargo da jornalista Núria Bianco, diretora de Inteligência de Mercado do Grupo Brasil Export.

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