Infraestrutura
Data centers chegam à escala de gigawatts e pressionam rede elétrica
A capacidade global de data centers deve superar 100 GW entre 2026 e 2030
A expansão da inteligência artificial está elevando a escala dos data centers e ampliando a pressão sobre a infraestrutura de energia. Segundo a International Data Corporation (IDC), campi com capacidade entre 300 MW e 500 MW já são comuns, enquanto alguns clientes passaram a demandar instalações superiores a 1 GW. A capacidade global de data centers deve superar 100 GW entre 2026 e 2030.
O avanço da inteligência artificial também impulsiona uma corrida das grandes empresas de tecnologia por terrenos, recursos e conexões à rede elétrica. A IDC estima que os investimentos dos hyperscalers em data centers superarão US$ 600 bilhões até o fim de 2026.
O acesso à energia, porém, se tornou um dos principais gargalos para a expansão. Em mercados já consolidados, o intervalo entre o pedido de conexão e a ativação da infraestrutura elétrica pode chegar a sete a dez anos, segundo a IDC.
A limitação tem levado operadores a buscar alternativas, como geração local, campi distribuídos e expansão de estruturas já existentes. De acordo com o estudo, parte relevante da nova capacidade deverá ser incorporada à base instalada, e não apenas por meio da construção de novos empreendimentos.
Maior densidade energética
A mudança de escala também ocorre dentro dos próprios data centers. A potência por rack passou de aproximadamente 15 kW em instalações convencionais para entre 300 kW e 600 kW em zonas de computação intensiva em inteligência artificial.
Com cargas muito superiores, esses ambientes demandam novas soluções de alimentação elétrica e refrigeração, além de redes e sistemas capazes de suportar a maior densidade energética.
“Quando os operadores adquirem instalações já existentes em vez de construí-las do zero, eles introduzem configurações de equipamentos desconhecidas de múltiplos fornecedores, sem histórico operacional, exigindo integração imediata com sistemas de gestão de desempenho de ativos”, afirma Luis Fernandes, Senior Research Manager da IDC e autor do documento.
Expansão para novos mercados
A disputa por energia e terrenos também influencia a localização dos novos projetos. A IDC aponta que regiões com maior disponibilidade desses recursos estão frequentemente em mercados secundários e terciários ou em áreas mais remotas.
Essas localidades, entretanto, podem enfrentar outro gargalo: a falta de profissionais especializados. Entre as funções demandadas estão técnicos de data center, engenheiros elétricos, profissionais de sistemas de controle, engenharia mecânica e refrigeração e engenheiros de comissionamento, muitos com experiência em sistemas de alta tensão.
Com a descentralização da infraestrutura, o desafio tende a se ampliar, já que novos empreendimentos podem avançar justamente para regiões onde há maior oferta de energia e terrenos, mas menor concentração de mão de obra especializada.
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