Autoridades ressaltam contribuição da Marinha para a segurança marítima e o desenvolvimento da economia azul
O Fórum Rio de Janeiro Export homenageou, nesta terça-feira (28), os 150 anos da Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN) da Marinha do Brasil, em evento realizado no Rio de Janeiro. A cerimônia reuniu autoridades dos setores portuário e logístico e destacou a relevância da instituição para a segurança da navegação, o comércio exterior e o desenvolvimento da economia azul no país.
Participaram do encontro o diretor de Hidrografia e Navegação, vice-almirante Ricardo Jacques Ferreira; o presidente do Conselho Nacional do Brasil Export, José Roberto Campos; a presidente do Conselho do Rio de Janeiro Export, Roberta Carvalhal; e o presidente do Conselho do Nordeste Export, Aluísio Sobreira.
Durante a solenidade, o grupo Brasil Export entregou uma placa comemorativa em reconhecimento à atuação da DHN ao longo de um século e meio, com contribuições para o transporte marítimo e fluvial, turismo, pesca, indústria naval e defesa nacional.
Pilar da infraestrutura marítima
Criada em 1876, ainda no período imperial, a Diretoria de Hidrografia e Navegação é considerada um dos pilares da infraestrutura marítima brasileira. Segundo o vice-almirante Jacques Ferreira, a trajetória da hidrografia acompanha a própria formação do Estado brasileiro.
Sob o lema “Mares sondados, destinos conectados”, a instituição mantém atualmente cerca de 500 levantamentos hidrográficos por ano, fundamentais para obras e dragagens portuárias, além de mais de 800 auxílios à navegação.
A DHN também é responsável pela produção de 556 cartas náuticas físicas e 171 eletrônicas. O Brasil está entre os poucos países que dominam a produção dessas cartas no padrão internacional S-101, definido pela Organização Hidrográfica Internacional.
Tecnologia e expansão da economia do mar
O avanço tecnológico tem sido um dos motores da atuação da diretoria. A Marinha emprega veículos autônomos e equipamentos como gliders para coleta de dados oceanográficos, incluindo medições de temperatura e correntes marítimas.
Essas informações são essenciais para operações offshore, especialmente na exploração de petróleo, além de contribuírem para a segurança da navegação.
Um dos marcos recentes citados no evento foi o reconhecimento, pela Organização das Nações Unidas (ONU), da ampliação da Margem Equatorial brasileira, resultado de esforços conjuntos da Marinha, da comunidade científica e da Petrobras.
A expansão reforça o potencial econômico do país em áreas como exploração de óleo e gás, mineração submarina, pesca e biodiversidade.
Desafios e necessidade de investimentos
Apesar dos avanços, a diretoria enfrenta desafios estruturais. Atualmente, a DHN conta com 1.528 militares, cinco organizações e nove navios para atender a uma costa de mais de 10 mil quilômetros.
Segundo Jacques Ferreira, é necessário ampliar investimentos, principalmente na capacidade de processamento de dados.
“Precisamos analisar as informações com maior celeridade para continuarmos como dinamizadores da economia do mar”, afirmou.
Para Roberta Carvalhal, o trabalho técnico da DHN é fundamental para o setor produtivo e para enfrentar desafios relacionados à inovação e às mudanças climáticas.
A celebração dos 150 anos, segundo os participantes, também representa um olhar estratégico para o futuro da navegação e da economia marítima no Brasil.