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Comércio exterior

Em feira na Alemanha, Lula defende indústria verde e acordos comerciais

Atualizado em: 20 de abril de 2026 às 10:32
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Presidente destaca potencial brasileiro em energia limpa, minerais críticos e integração com a União Europeia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou no domingo (19) da cerimônia de abertura da Feira Industrial de Hanôver (Hannover Messe 2026), na Alemanha, — considerada a maior feira de inovação e tecnologia industrial do planeta —, e sinalizou a intenção de diversas parcerias comerciais com o país europeu. O evento reuniu autoridades e representantes de setores estratégicos dos dois países.

O presidente citou políticas públicas para a indústria implementadas em sua gestão que incentivam a vinda de empresas estrangeiras e apresentam cenário favorável para investimentos.

“Desde 2023, estamos reconstruindo a capacidade do Estado para impulsionar o crescimento econômico e a inclusão social. Colocamos em marcha um robusto programa de neoindustrialização, tendo como motores a economia verde e a indústria 4.0. O convite para a Feira de Hanôver consolida a posição do Brasil como parceiro confiável em um mundo de instabilidade e incerteza”, declarou Lula.

Também foi abordada e citada como exemplo pelo presidente Lula a assinatura do Acordo de Parceria Mercosul-União Europeia, que faz parte de uma estratégia de expansão da rede de pactos comerciais do Brasil e do Mercosul. A decisão amplia de forma significativa o acesso de produtos sul-americanos ao mercado europeu, com a eliminação de tarifas sobre aproximadamente 95% dos bens importados pela União Europeia, em diferentes prazos.

“Diante do unilateralismo, o Mercosul e a União Europeia escolheram a cooperação. Daqui a menos de duas semanas, entrará em vigor o Acordo que cria um mercado de quase 720 milhões de habitantes, com PIB agregado de 22 trilhões de dólares. Mais comércio e mais investimentos significam novos empregos e oportunidades dos dois lados do Atlântico”, exemplificou.

O presidente comentou ainda a respeito da oportunidade de cooperação mutuamente vantajosa para ambas as nações. “Existem inúmeras complementaridades ainda não exploradas entre as duas regiões. O Brasil pode ajudar a União Europeia a diminuir custos de energia e descarbonizar sua indústria”, citou como exemplos. “Para isso, é essencial que as regras do bloco levem em conta a matriz energética limpa utilizada em nossos processos produtivos. É preciso ainda combater narrativas falsas a respeito da sustentabilidade da nossa agricultura. Criar barreiras adicionais ao acesso de biocombustíveis é contraproducente tanto do ponto de vista ambiental quanto do energético”, argumentou.

Energia limpa

Lula exaltou que a ciência e a tecnologia permitem aos países evoluírem de forma segura para um modelo centrado em energias limpas e que o Brasil tem sido referência nesse processo. “Na década de 1970, os choques do petróleo evidenciaram os perigos da excessiva dependência de combustíveis fósseis. O Brasil foi pioneiro na implementação de um programa nacional de biocombustíveis. Em 1980, Volkswagen e Mercedes-Benz expuseram nesta Feira motores brasileiros movidos a etanol. Hoje, mais de 75% da nossa frota é composta por veículos flex. Já adotamos mistura de 30% de etanol na gasolina e de 15% de biodiesel no diesel. Produzimos biocombustíveis de forma sustentável, sem comprometer o cultivo de alimentos ou derrubar florestas”.

Para Lula, o sistema global amparado no uso intensivo de combustíveis fósseis precisa ser revisto o quanto antes. Ele enfatizou que a questão será determinante para os rumos do enfrentamento à mudança do clima. “Nos últimos três anos, reduzimos em 50% o desmatamento na Amazônia e em 32% no Cerrado. Dispomos de matriz elétrica 90% limpa e temos potencial para produzir o hidrogênio verde mais barato do mundo. Essa trajetória consistente em energias renováveis fortaleceu nossa segurança energética. O Brasil é um dos países menos afetados pela atual crise de oferta de petróleo”, disse.

Minerais críticos

Lula mencionou ainda a oportunidade de cooperação mutuamente vantajosa na exploração de minerais críticos, essenciais para a confecção de baterias, painéis solares e sistemas de energia. Para gerar emprego e renda e gozar de segurança energética, Lula indicou que os países em precisam participar de todas as etapas dessa cadeia global de valor.

“Minerais críticos são essenciais para a descarbonização e a transformação digital. Com apenas 30% do potencial mineral mapeado, nosso país já detém a maior reserva mundial de nióbio, a segunda de grafita e terras raras e a terceira de níquel. Esses insumos devem ser instrumentos de desenvolvimento econômico e social. Não repetiremos o papel de meros exportadores de commodities minerais. Estamos abertos a parcerias internacionais que incluam etapas de maior valor agregado e transferência de tecnologia”, explicou.

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