Energia
Eneva conclui venda da termelétrica Itaqui à Diamante e deixa carvão
Operação envolve R$ 365,3 milhões e transferência integral da transportadora de minérios do Porto do Pecém para a Eneva
A Eneva concluiu a venda de sua participação na Usina Termelétrica (UTE) Porto do Itaqui, em São Luís (MA), à Diamante Energia. A operação, comunicada em fato relevante à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), envolve uma permuta de participações societárias e pagamento de R$ 365,3 milhões à companhia. Com a transação, a Eneva encerra sua atuação na geração de energia a carvão mineral e amplia sua participação na infraestrutura logística ligada ao Porto do Pecém (CE).
Pelo acordo anunciado no início de setembro, a participação da Eneva na termelétrica foi transferida à Diamante em contrapartida à aquisição dos 50% restantes das ações da Porto do Pecém Transportadora de Minérios S.A. (PPTM). Com isso, a Eneva passou a deter 100% da transportadora. Além da permuta, a companhia recebeu R$ 365,3 milhões em pagamento em dinheiro, valor atualizado conforme os critérios contratuais.
O contrato prevê ainda um pagamento adicional de até R$ 467 milhões pela Diamante, sujeito à correção monetária e condicionado à eventual antecipação da data de início do período de suprimento de potência contratado no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) de 2026, realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Segundo a Eneva, a operação integra a estratégia de reorganização de seu portfólio e representa a saída definitiva do segmento de geração a carvão mineral. O movimento dá continuidade à alienação da UTE Pecém II, concluída em agosto deste ano.
A companhia afirma que a consolidação de sua participação no chamado Hub Ceará reforça a estratégia de desenvolver infraestrutura integrada de gás natural e geração de energia, com foco em capacidade, flexibilidade e segurança do sistema elétrico brasileiro.
Usina tem 360 MW de capacidade instalada
A UTE Porto do Itaqui iniciou a operação comercial em fevereiro de 2013 e está localizada nas proximidades do Porto do Itaqui, no Maranhão. A posição facilita o recebimento do carvão mineral importado utilizado como combustível na geração de energia. A unidade possui capacidade instalada de 360 megawatts (MW).
Apesar da mudança de controle, a usina tem perspectiva de operação de longo prazo. A unidade foi uma das vencedoras do LRCap de 2026, que assegurou a contratação de 311,7 MW de potência por um período de dez anos, entre 2031 e 2041.
O contrato prevê receita fixa anual de R$ 503,59 milhões, em valores da data-base do leilão. A contratação garante remuneração pela disponibilidade de potência nos termos estabelecidos pelo certame, independentemente do volume efetivamente gerado em cada período, conforme as regras aplicáveis ao produto contratado.
A conclusão da operação reorganiza a presença das duas empresas no setor elétrico: a Diamante assume a participação na termelétrica a carvão, enquanto a Eneva concentra seus planos na integração entre infraestrutura de gás e geração de energia e amplia o controle sobre a transportadora de minérios ligada ao Porto do Pecém.
Leia mais:
Porto do Itaqui prepara terminal de fertilizantes e amplia infraestrutura
Novo berço: Porto do Itaqui amplia capacidade em 8 milhões de toneladas
Leilão de terminal no Porto do Itaqui prevê R$ 147 milhões em investimentos