Sudeste Export
Integração é desafio central para o setor de petróleo e gás, aponta Oceanix
Único representante do setor privado em painel do Sudeste Export cobrou previsibilidade e infraestrutura para investimentos de longo prazo em óleo e gás
Único representante do setor privado no painel “O mercado de petróleo, gás e energias renováveis no contexto de um cenário de transição energética”, realizado durante o Sudeste Export no Rio de Janeiro, o diretor de Desenvolvimento de Negócios da Oceanix, Marcos Araújo, apontou a falta de integração como o principal entrave enfrentado pelas empresas que atuam na cadeia de petróleo e gás natural.
“O setor privado precisa de consistência. Quando se investe numa plataforma, não dá para não saber se ela vai sair do papel ou se uma mudança política vai barrar tudo. Estamos falando de contratos de 20, 40 anos, que exigem previsibilidade e planejamento”, argumentou.
Araújo também criticou a ausência de infraestrutura de apoio, como estaleiros e rodovias, para atender à demanda crescente do setor. “Hoje temos uma demanda da Petrobras por mais de 40 embarcações. Onde vamos construir? As duas primeiras foram viabilizadas por empresas que têm seus próprios estaleiros, mas isso não é a realidade da maioria”, alertou.
O papel estratégico do setor de petróleo, gás e energias renováveis na transição energética brasileira foi o tema de discussão do painel. Com moderação da diretora de Inteligência de Mercado do Grupo Brasil Export, Núria Bianco, o encontro reuniu representantes do setor público e da iniciativa privada.
Na abertura, Núria destacou a relevância do petróleo na balança comercial brasileira, lembrando que o produto foi o principal item de exportação do país em 2024. “A expectativa é que esse desempenho se repita em 2025, e que o Brasil alcance a quinta posição entre os maiores exportadores até 2032. Atualmente, ocupamos o oitavo lugar”, afirmou.
O diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Daniel Maia Vieira, afirmou que os investimentos previstos até 2028, da ordem de US$ 2,33 bilhões, são fruto de planos de desenvolvimento em campos já leiloados, sobretudo offshore. “Não é apenas a Petrobras. Temos outras grandes empresas como Shell, TotalEnergies, Equinor e grupos chineses, além de companhias independentes que cresceram após o processo de desinvestimento da Petrobras. Esses investimentos impulsionam diretamente não só a produção, mas também infraestrutura, logística e refino”, explicou.
O presidente da Frente Parlamentar em Apoio ao Petróleo, Gás e Energia, o deputado federal Eduardo Pazuello (PL-RJ), defendeu a representatividade política do setor no Congresso.
“Pelo tamanho e relevância do petróleo e gás no PIB brasileiro, é fundamental ter uma representação transparente e conectada com as demandas do setor”, afirmou.