Sudeste Export
Investimentos bilionários e desafios marcam debate sobre transição energética
Exploração na Bacia de Campos, necessidade de representação política e integração entre público e privado foram destaques
A exploração de US$ 2,3 bilhões até 2028 na Bacia de Campos, a necessidade de representação política para o setor e a integração entre agentes públicos e privados foram alguns dos temas centrais do painel “O mercado de petróleo, gás e energias renováveis no contexto de um cenário de transição energética”, exposto nesta quarta-feira (2), no Sudeste Export, no Rio de Janeiro.
O encontro foi moderado por Núria Bianco, diretora de Inteligência de Mercado do Grupo Brasil Export, e teve como debatedores o deputado federal Eduardo Pazuello, presidente da Frente Parlamentar em Apoio ao Petróleo, Gás e Energia; Maíra Campos, superintendente de Energias Limpas da Secretaria de Energia e Economia do Mar do Rio de Janeiro; Marcos Araújo, diretor de Desenvolvimento de Negócios da OCEANIX; e Daniel Maia Vieira, diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Daniel destacou que a ANP prevê investimentos expressivos na produção de petróleo e instalações de gás natural, com foco no offshore brasileiro – ontem (1º), a ANP anunciou, para o ano de 2025, a previsão de investimentos na ordem de US$ 1,5 bilhão, chegando a US$ 2,3 bilhões até 2028. “Apesar de a Petrobras ser a maior produtora, temos muitas outras empresas, como Equinor e TotalEnergies, que também desempenham um papel importante”, afirmou. Segundo ele, os aportes impulsionam também outros setores, como infraestrutura e logística.
Já Pazuello ressaltou a importância da representação política do setor no Congresso Nacional. “Pelo que o setor representa no PIB, é fundamental que tenha uma representação política transparente, que compreenda suas demandas e consiga agregar os diversos atores envolvidos”, pontuou o parlamentar.
Marcos Araújo apontou os desafios enfrentados pelo setor privado. “O principal entrave é justamente o que estamos fazendo aqui: integrar os entes públicos, privados e agências reguladoras. O setor privado precisa de previsibilidade para preparar infraestrutura para o petroquímico, investir em rodovias e desenvolver estaleiros”, explicou o diretor da OCEANIX.
Maíra Campos aproveitou para reforçar a relevância da produção brasileira de petróleo no contexto global. “Se o Brasil parasse de produzir, o petróleo mundial se tornaria ainda mais emissor de carbono. O mundo precisa do petróleo brasileiro, e o estado do Rio de Janeiro, que concentra 90% da produção nacional, tem papel fundamental nesse cenário”, enfatizou.