Ações para reduzir o impacto ambiental das operações do porto foram apresentadas à delegação da Missão França 2025
Principal porto de contêineres da França, Le Havre realiza investimentos para tornar suas operações mais sustentáveis, especialmente a partir da redução da emissão de gases do efeito estufa (GEE), e ainda melhorar sua logística. São instalações exclusivas para o transporte hidroviário, novos berços de atracação, o fornecimento de energia elétrica para navios atracados e a produção de hidrogênio verde (H2V), iniciativas que devem ser concluídas entre este ano e 2030.
Essas ações foram destacadas pelo diretor de Planejamento Estratégico e Projeções da Haropa Port (a autoridade portuária de Le Havre e dos portos fluviais de Rouen e Paris), Cédric Virciglio, que apresentou o planejamento à comitiva da Missão França 2025,que conta com o número recorde de mais de 100 participantes, entre empresários e autoridades, e é organizada pelo Fórum Brasil Export.
A agenda técnica da missão teve início na última segunda-feira, em Paris, com um seminário sobre as mudanças no sistema portuário brasileiro, que teve a participação do ministro de Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho. Nessa terça-feira, a delegação visitou o Porto de Le Havre, localizado às margens do Canal da Mancha e na foz do Rio Sena (que o liga diretamente aos portos de Rouen e Paris), no norte do país e a 197 quilômetros da capital Paris. No complexo marítimo, que recebe cerca de 6 mil navios por ano e movimentou 106 milhões de toneladas em 2024, a comitiva se reuniu com executivos locais e conheceu, em um passeio de barco, as principais instalações e os projetos de desenvolvimento.
Curiosamente, em 2005, há exatos 20 anos, Le Havre integrou a primeira agenda de visitas técnicas internacionais promovida pelo Brasil Export. O retorno ao porto francês foi a oportunidade de verificar de perto sua evolução e o desenvolvimento dos projetos que ainda eram planejados há duas décadas.
Um dos empreendimentos que foram “reencontrados” pela comitiva foi a área de expansão do Porto de Le Havre, a Port 2000, que estava em construção na visita do Brasil Export em 2005. Implantada a partir do aterro de parte do canal do Rio Sena e em operação desde 2006, ela passa por uma nova melhoria, a construção de um canal exclusivo para barcaças ligando o Rio Sena a seus terminais. As obras foram iniciadas em março deste ano.
Segundo o diretor da Haropa Port, o acesso de barcaças visa facilitar a navegação dessas embarcações em todas as condições climáticas e de maré – para chegar aos terminais, elas vão vir pelo rio e acessar diretamente o canal, sem precisar enfrentar as correntes do Mar do Norte. Com isso, as autoridades querem aumentar o transporte de cargas entre Le Havre e as regiões atendidas pelo porto, especialmente a Grande Paris, pelo modal hidroviário, em substituição ao rodoviário (cinco vezes mais poluente que o fluvial). Atualmente, apenas 10% dos contêineres movimentados no complexo francês – uma parcela de 220 mil no ano passado – passam pelo Sena, destacou Cédric.
O canal terá 1.800 metros de extensão e 100 metros de largura. Sua abertura demandará a dragagem de 4,5 milhões de metros cúbidos de sedimentos – volume semelhante ao que costuma ser dragado no Porto de Santos anualmente.
O custo deve chegar a 200 milhões de euros, cerca de R$ 1,36 bilhão, a ser custeado pelo porto e pelas autoridades locais e estadual e pela União Europeia.
A expectativa é que o canal seja inaugurado em 2027 e, até 2037, o tráfego de contêineres entre Le Havre e Paris aumente entre 50% e 100%, destacou Cédric.
Investimentos pelo Sena
As autoridades francesas também contam com outros projetos para ampliar o uso do modal hidroviário pelo Rio Sena, até o Porto de Le Havre. No ano passado, os berços de barcaças e de navios existentes no complexo marítimo e ao longo da via fluvial começaram a ser eletrificados, permitindo que as embarcações, quando atracadas, possam desligar seus motores – interrompendo a emissão de poluentes – e terem sua demanda de energia atendida pelos terminais, a partir de um sistema de transmissão de eletricidade instalado no cais.
Nas instalações fluviais e no terminal de cruzeiros de Le Havre, o sistema de eletrificação será concluído até o próximo ano. Já no terminal de contêineres do Porto, os trabalhos vão continuar até 2028.
Outra iniciativa é a instalação de usinas elétricas movidas a hidrogênio verde ao longo do Sena. Mais de 35 projetos, envolvendo 66 instalações, foram aprovados ao longo do rio, entre Le Havre e Paris, garantindo o fornecimento de uma energia produzida por um combustível limpo para toda essa região.