Brasil Export
Meeting Brasil-Japão debate novos investimentos em indústria e portos
Evento em São Paulo reuniu empresas e Governo do Estado, com destaque para aportes da Toyota e expansão de terminais portuários
Os investimentos no setor de indústrias automotivas, bem como também no setor portuário, foram colocados à tona durante o Meeting Brasil-Japão, evento voltado para ampliação das relações econômicas entre os dois países, promovido pelo Grupo Brasil Export e pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo. A agenda discutiu futuros negócios e como Brasil e Japão podem estreitar e se beneficiar economicamente.
O evento teve como objetivo principal traçar uma estratégia de articulação institucional que busca aproximar governos e empresas em torno de parcerias consideradas estratégicas, com foco na expansão das exportações brasileiras e na atração de investimentos japoneses.
O presidente da Toyota do Brasil, Evandro Maggio, destacou o ciclo de investimentos no valor de R$ 11,5 bilhões que está sendo feito pela montadora japonesa no país, em especial no Estado de São Paulo. Trata-se da maior aplicação de recursos pela companhia no Brasil.
Segundo o executivo, o avanço da indústria está diretamente ligado à cooperação entre iniciativa privada e poder público.
“O evento reforça algo que pra nós é importante: investimento, cooperação e construção conjunta entre setores públicos e privados. Quando juntamos esses dois pilares, com determinação de crescimento, o resultado é o sucesso. “Acreditamos no desenvolvimento da indústria automotiva, que passa por uma combinação essencial: tecnologia de ponta inovadora, apropriada à realidade brasileira, produção local e integração com uma cadeia de fornecedores que fortalece toda a indústria”, comentou.
Parte dos novos investimentos já está em andamento. Em 2024, a montadora anunciou um centro logístico de peças com capacidade de atender de forma imediata 97,5% dos pedidos em todo o país. Outro projeto relevante é a construção de uma nova fábrica em Sorocaba, com previsão de início das operações no segundo semestre de 2026, ampliando a capacidade produtiva da empresa.
Setor portuário
Representando o setor portuário, através das operações de exportações, o CEO da Santos Brasil, Antonio Carlos Sepúlveda, fez uma apresentação dos terminais operados pela companhia, em especial o Terminal de Contêineres (Tecon) de Santos, o maior da América Latina.
Atualmente, a Santos Brasil vive uma fase de expansão da sua capacidade operacional, onde, desde 2021, foram investidos mais de R$ 3 bilhões, visando alcançar a capacidade de 3,1 milhões de Teus até o ano que vem. Na apresentação, o executivo falou das operações diretas do terminal com o território japonês.
“A gente exporta muito para o Japão e para a Ásia como um todo, principalmente as commodities agrícolas e muita proteína. A gente importa produtos acabados para a nossa indústria ou para o consumo final. A Toyota e outras montadoras importam muito peças do Japão, ou seja pneus, velas, e tudo isso chega ao Brasil via contêiner”, explicou.
Sepúlveda afirmou que a companhia já tem um planejamento futuro de investimentos, que vão ampliar ainda mais a capacidade do Tecon Santos.
“Nossa ideia é planejar expansão para uma área remanescente, o que faria com que o terminal fosse para 4,1 milhão de TEU em capacidade. É a nossa próxima janela de investimentos”, finalizou.
O evento foi finalizado com uma importante palestra do economista Mansueto Almeida, ex-secretário do Tesouro Nacional do Brasil. Na sua participação, o profissional fez um balanço do cenário econômico brasileiro atual, os desafios enfrentados por empresários e empreendedores, além de fazer cenários de comparação entre os dois países.
“No Brasil, temos um problema muito grave, que é a questão fiscal. O Japão é um dos países que tem uma das maiores dívidas do setor público. A dívida é em torna de 230% do PIB, só que lá não é um problema, é uma vantagem, pq a taxa de poupança, do que as famílias poupam, é muito alto, se o governo não for deficitário a economia não cresce, então o governo gastando no Japão é benéfico, leva mais crescimento. O Governo tem papel no excesso de poupança que é gerado no setor privado para evitar que a economia entre em recessão”, comentou.
O principal diferencial, segundo o economista, está na taxa de juros.
“A dívida do Brasil era 71% do PIB no início do governo atual. A gente vai terminar esse ano com a dívida em mais ou menos 82% do PIB, crescimento de dez pontos em 4 anos. Com um problema, para sustentar uma dívida dessas o Brasil paga a maior taxa de juros do mundo. A taxa do Japão é de 0,75% ao ano. No Brasil é 14,75% ao ano”, finalizou.
Mobilização
Quem também marcou presença no Meeting Brasil-Japão foi a cônsul-geral do Japão em São Paulo, Yoriko Suzuki. Em seu discurso durante o evento, ela destacou o compromisso de mobilizar o corpo diplomático japonês na promoção do desenvolvimento de negócios com o Brasil.