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Opinião

Editorial

A nova iniciativa da ApexBrasil

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou nessa quinta-feira, dia 8, no Fórum Nacional Brasil Export, a criação de um portfólio padronizado de oportunidades de investimento associadas à infraestrutura portuária brasileira, reunindo projetos dentro das poligonais portuárias, empreendimentos em complexos industriais, infraestrutura de acesso e áreas sob influência dos portos, incluindo zonas de processamento de exportações (ZPE). A iniciativa resolve um problema real: investidores estrangeiros que chegam ao Brasil para avaliar oportunidades logísticas enfrentam assimetria informacional que multiplica o custo de prospecção. Cada porto, cada autoridade portuária e cada ministério envolvido tem seu próprio formato de apresentação, seu próprio ponto de contato e sua própria versão do estágio de maturidade do projeto. Um portfólio padronizado, com uma página por oportunidade, ponto focal identificado, acesso a informações complementares e atualização conforme o projeto avança, é exatamente o instrumento que reduz essa assimetria e posiciona o Brasil de forma mais competitiva nas rodadas de investimento internacionais.

A ampliação do modelo de portfólio para a infraestrutura portuária e logística é coerente com o que a ApexBrasil já faz em minerais críticos e indústria naval, segmentos nos quais a agência mantém portfólios semelhantes. A lógica é a mesma: investidor que consegue comparar projetos em formato padronizado, com informação objetiva sobre localização, incentivos fiscais, disponibilidade de energia, acesso logístico e ponto de contato, chega à decisão de investimento mais rápido e com menos custo de transação. Carlos Padilla, head of Investments da ApexBrasil, identificou corretamente os critérios que o investidor estrangeiro avalia primeiro, como localização, incentivos, proximidade ao mercado, energia e infraestrutura, e o portfólio foi estruturado para responder a essas perguntas de forma direta. É o tipo de instrumento que reuniões ministeriais e missões comerciais produzem com mais eficácia quando têm material concreto para apresentar.

Deve-se destacar que o portfólio da ApexBrasil será julgado não pelo número de projetos que listar, mas pela qualidade dos empreendimentos selecionados e, principalmente, pela honestidade com que descrever o estágio real de maturidade de cada um. A agência precisará de critérios rigorosos para decidir quais projetos entram no portfólio e em qual categoria. A distinção entre uma oportunidade dentro de uma poligonal portuária com edital publicado e data de leilão confirmada, como o canal de Itajaí com leilão em novembro, e um projeto em fase de estudos sem modelo de outorga definido é o que determinará se o investidor estrangeiro voltará ao Brasil ou concluirá que o País é bom em anunciar e lento em executar. O portfólio precisa fazer essa diferenciação de forma explícita, com indicação do estágio de cada projeto e do que precisa acontecer antes que o investimento seja possível, para ser instrumento de atração real e não vitrine de intenções.

O portfólio portuário anunciado pela ApexBrasil é um instrumento estratégico para a atração de investimentos. Que ele seja lançado com projetos selecionados por critérios de maturidade reais, atualizado com frequência que reflita o avanço efetivo dos processos e distribuído nas rodadas de investimento internacionais com a mesma seriedade com que a ApexBrasil distribui seus portfólios de minerais críticos. O Brasil tem portos, terminais, ZPEs e corredores logísticos que merecem estar no mapa do investidor global. A ferramenta existe. O conteúdo que ela carregará determinará se funciona.

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