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Candice La Terza

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O chefe manda. O líder mobiliza.

Em um mercado no qual atrair e reter profissionais qualificados é cada vez mais estratégico, existe uma verdade que nenhuma campanha interna consegue contornar: as pessoas podem aceitar um emprego pela empresa, mas a qualidade da liderança pesa diariamente na decisão de permanecer.

Existe uma diferença fundamental entre conseguir que alguém cumpra uma ordem e conquistar seu compromisso com um objetivo. A primeira situação depende da autoridade formal. A segunda exige liderança, comunicação e confiança. Embora ambas possam produzir resultados imediatos, somente a segunda tem potencial para sustentar o desempenho ao longo do tempo.

Em setores como portos, aeroportos, logística e transporte, nos quais eficiência operacional, segurança e cumprimento de prazos são inegociáveis, a capacidade de mobilizar pessoas não é um atributo acessório da liderança. É uma vantagem competitiva.

O chefe determina. O líder dá direção, explica o propósito e cria condições para que as pessoas compreendam sua contribuição para o resultado. Não se trata de substituir decisões firmes por discursos motivacionais, tampouco de transformar a gestão em uma assembleia permanente. Trata-se de entender que autoridade não dispensa diálogo e que cobrar resultados não elimina a responsabilidade de construir o caminho para alcançá-los.

Obediência não é engajamento.

Uma equipe pode cumprir todas as determinações e, ainda assim, estar profundamente desengajada. Pode entregar indicadores, respeitar procedimentos e comparecer pontualmente, enquanto seus integrantes contam os dias para encontrar outra oportunidade profissional.

O problema começa quando a comunicação se resume à transmissão de ordens. O gestor fala, a equipe executa e ninguém pergunta se a orientação foi compreendida, se existem obstáculos ou se há uma maneira mais eficiente de realizar a tarefa. Nesse modelo, o silêncio costuma ser confundido com concordância, quando pode representar apenas receio de discordar.

A Gallup estima que os gestores respondem por cerca de 70% da variação no engajamento das equipes. O dado ajuda a dimensionar a responsabilidade de quem lidera: a experiência cotidiana com a chefia influencia diretamente a relação das pessoas com o trabalho.

Não basta, portanto, que a alta direção divulgue valores corporativos sofisticados. Se o discurso institucional prega colaboração, mas o gestor interrompe quem discorda, a cultura real será definida pelo comportamento vivenciado, não pelo que está escrito nas paredes.

O exemplo é a comunicação mais convincente.

Peter Drucker, referência incontornável da administração, deixou uma contribuição essencial ao pensamento gerencial: a eficácia depende de transformar intenção em prática. Na liderança, essa coerência é decisiva. As equipes observam muito mais do que as apresentações corporativas revelam.

Quem exige pontualidade precisa respeitar o tempo dos outros. Quem cobra transparência deve compartilhar informações relevantes. Quem defende inovação precisa tolerar perguntas, reconhecer erros e permitir que boas ideias venham de qualquer nível hierárquico.

O exemplo reduz a distância entre discurso e realidade. E essa coerência constrói confiança, um ativo que não aparece isoladamente nos relatórios financeiros, mas influencia a capacidade de execução de uma organização.

Amy Edmondson, professora da Harvard Business School, tornou-se referência nos estudos sobre segurança psicológica: a percepção de que é possível apresentar dúvidas, apontar problemas e admitir erros sem medo de humilhação ou retaliação.

Em operações complexas, essa condição é especialmente relevante. Um profissional que teme questionar uma decisão pode deixar de comunicar um risco operacional. Uma equipe que não se sente autorizada a falar pode ocultar falhas que deveriam ser corrigidas antes de se tornarem incidentes.

Ouvir, nesse contexto, não é sinal de fragilidade. É uma ferramenta de gestão de riscos, aprendizagem e melhoria contínua.

Comunicar mobiliza. A comunicação eficaz da liderança começa pela clareza sobre o que precisa ser feito, por que aquilo importa e quais resultados são esperados. Continua na escuta ativa, no feedback frequente e na disposição para ajustar a rota diante de novas informações.

Isso exige trocar o monólogo pela conversa, a imposição automática pela explicação e a cobrança isolada pelo acompanhamento consistente. Não significa negociar todas as decisões, mas garantir que as pessoas compreendam o contexto e tenham espaço para contribuir.

O líder também precisa saber comunicar decisões difíceis. Transparência não significa revelar tudo a todos, indiscriminadamente; significa compartilhar o que é relevante, explicar o que pode ser explicado e não preencher lacunas de informação com silêncio ou ambiguidades.

No fim, a pergunta que deveria orientar qualquer executivo não é apenas se sua equipe está entregando resultados. É também o que torna possível essa entrega e qual é o custo humano de sustentá-la.

O chefe consegue obediência enquanto detém o poder de punir. O líder constrói compromisso porque inspira confiança, oferece direção e demonstra, na prática, aquilo que espera dos outros.

Em um mercado no qual atrair e reter profissionais qualificados é cada vez mais estratégico, existe uma verdade que nenhuma campanha interna consegue contornar: as pessoas podem aceitar um emprego pela empresa, mas a qualidade da liderança pesa diariamente na decisão de permanecer.

Liderar não é fazer com que as pessoas apenas sigam ordens. É criar as condições para que avancem na mesma direção, com consciência, confiança e vontade de chegar mais longe.

Cândice La Terza escreve quinzenalmente para o BE News, com seus textos publicados às quartas-feiras.

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