domingo, 11 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

O Porto Sem Papel resolve suas pendências

O Ministério de Portos e Aeroportos apresentou nessa terça-feira, dia 6, no Fórum Nacional Brasil Export 2026, em Brasília (DF), duas ferramentas que completam o sistema Porto Sem Papel. O IntegraPSP, desenvolvido com o Serpro, permite que os sistemas próprios de agências marítimas, armadores, despachantes, terminais e operadores portuários se comuniquem diretamente com a plataforma federal via APIs, eliminando o envio duplicado de informações que hoje é rotina no setor. O Suprinav dá aos fornecedores de produtos e serviços para navios acesso direto ao Porto Sem Papel, sem intermediação obrigatória de agências marítimas. As duas soluções são corretas, tecnicamente sólidas e foram desenvolvidas a partir de demandas reais da comunidade portuária. E chegam num momento que o próprio coordenador-geral de Inovação Portuária e Transformação Digital da Secretaria Nacional de Portos, do Ministério, Thiago Alvarenga, descreveu com honestidade incomum: “cada empresa criou o seu sistema, a gente criou o Porto Sem Papel, que também é um sistema, no final, todo mundo tem o seu sistema, mas eles não se conversavam.”

Essa frase é o diagnóstico mais honesto que um gestor público fez sobre o Porto Sem Papel desde que a plataforma foi lançada, reconhecendo uma de suas principais falhas, que é a falta de comunicação com outros sistemas. O IntegraPSP resolve esse problema e deixa a lição de que as soluções tecnológicas da pasta devem sempre considerar a necessidade de se comunicarem com outras plataformas, sob o risco de ter sua eficácia comprometida.

O Suprinav tem valor adicional que vai além da eficiência operacional. Ao integrar diretamente ao ambiente digital do Porto Sem Papel os fornecedores de bens e serviços para navios, segmento composto majoritariamente por pequenas e médias empresas, como destacou o diretor-presidente da Associação Brasileira dos Fornecedores de navios (ABFN), Flávio Pierotti, a plataforma democratiza o acesso a um sistema que, até agora, filtrava a participação desse segmento pela intermediação das agências marítimas. Fornecedor que precisa de agência marítima para acessar um sistema governamental é fornecedor que paga um intermediário para exercer um direito de acesso que deveria ser direto. O secretário nacional de Portos, Alex Ávila, disse que “tinham a obrigação de organizar esse tema”.

O IntegraPSP e o Suprinav são avanços reais que merecem reconhecimento, e que revelam um padrão de implementação de tecnologia na infraestrutura brasileira que precisa ser discutido abertamente. Sistemas digitais de grande escala que são lançados sem arquitetura de integração definida criam, inevitavelmente, o problema que o IntegraPSP foi desenvolvido para resolver: ilhas de dados que não se comunicam, multiplicação de operações manuais de transposição entre plataformas e usuários que constroem workarounds para conviver com a falta de integração. A Política Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação para os Portos (PD&I-Portos), lançada em setembro pelo mesmo ministério, tem a oportunidade de incorporar esse aprendizado de forma explícita: quando o Governo desenvolve plataformas digitais para o setor portuário, a interoperabilidade com os sistemas existentes precisa ser requisito de projeto, não solução posterior.

O termo de anuência do IntegraPSP foi assinado durante o painel dessa terça-feira. O Suprinav foi apresentado como solução que ainda será disponibilizada, sem data específica comunicada publicamente. Que a disponibilização ocorra no prazo que a demanda da ABFN e do setor de fornecimento exige. E que o Ministério de Portos e Aeroportos estabeleça um cronograma público para as próximas etapas de evolução do Porto Sem Papel, com as melhorias identificadas pelos usuários como parte de um processo de desenvolvimento contínuo.

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