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Clara Laface

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Ser conhecido não significa ser confiável

Simplesmente pensar em “como ganhar mais visibilidade?” se tornou simplista demais para profissionais que pretendem construir carreiras de longo prazo. Colher informações sobre a percepção que foi construída no mercado é o primeiro passo antes de pensar no próximo passo dentro de uma estratégia de aumento de notoriedade.

A visibilidade tem se tornado uma espécie de moeda muito valiosa no mercado profissional. Executivos constroem presença nas redes, algumas empresas já estimulam suas lideranças a ocupar o debate público e profissionais aprenderam que competência sem reconhecimento pode limitar oportunidades. Faz sentido – e deve fazer parte de uma estratégia de posicionamento – querer ser visto na era da economia da atenção. O erro está em supor que toda visibilidade é um ativo de valor reputacional.

O Leading CEO Benchmark 2026 traz dados interessantes para essa discussão. O estudo avaliou 50 CEOs em sete dimensões de reputação e apresentou também indicadores de notoriedade e confiança. Satya Nadella, CEO da Microsoft, ocupa a primeira posição na avaliação geral. Jensen Huang, da Nvidia, alcança 100 pontos em notoriedade e 95,6 em confiança. Elon Musk também chega a 100 em notoriedade, mas registra 48,4 em confiança. Sam Altman aparece com 100 e 56,2, respectivamente.

A metodologia exige uma ressalva. O benchmark não resulta de uma pesquisa tradicional de opinião pública: as avaliações foram produzidas com inteligência artificial generativa a partir de evidências disponíveis publicamente. Os números, portanto, não representam a porcentagem de pessoas que confiam em cada executivo. O interesse está na relação entre as variáveis analisadas e, nesse aspecto, o contraste é provocador: visibilidade mede o tamanho da exposição, enquanto reputação determina o valor que essa exposição acumula.

Essa diferença se tornou especialmente importante porque construímos, ao longo dos anos, com o advento das mídias sociais, um mercado obcecado por métricas de vaidade. Alcance, seguidores e visualizações oferecem números objetivos e imediatamente comparáveis, enquanto confiança, credibilidade e percepção são muito mais difíceis de enxergar. O que é fácil medir acaba ganhando protagonismo, mesmo quando não é necessariamente o que mais importa – dificilmente um pretenso CEO será conduzido ao cargo por conta do número de seguidores no LinkedIn.

Para uma liderança, essa distorção pode custar caro. Um executivo não amplia apenas a própria audiência quando ganha visibilidade; amplia também o efeito de tudo aquilo que já está associado ao seu nome. Se existe confiança, ela ganha escala. Se existem dúvidas sobre sua capacidade de sustentar o que comunica, elas também são amplificadas.

É por isso que exposição não deveria ser tratada como um objetivo isolado de posicionamento. Antes de aumentar o número de pessoas que conhecem um profissional, existe uma pergunta mais estratégica a ser feita: o que exatamente será ampliado quando mais pessoas passarem a conhecê-lo?

A pergunta vale para além das redes sociais. Um profissional pode ser extremamente conhecido dentro de uma empresa e ter pouco crédito entre os pares. Pode estar nos ambientes certos e ainda assim não ser considerado para determinadas oportunidades. Pode construir uma audiência expressiva e descobrir que sua influência termina onde começam as decisões que realmente importam para sua carreira. Reconhecimento cria presença e confiança transforma essa presença em capital profissional.

Vamos pegar o exemplo do que essa pesquisa apontou sobre Elon Musk. Poucos executivos no mundo têm uma presença pública comparável à dele, e o benchmark confirma isso ao atribuir ao empresário a pontuação máxima em notoriedade. Quando o critério passa a ser confiança, porém, o resultado despenca, criando a maior distância entre os dois indicadores entre os CEOs avaliados. O caso é curioso porque mostra o limite da visibilidade como medida de reputação: é possível ocupar um espaço enorme na atenção pública sem converter essa exposição, na mesma proporção, em confiança.

Isso ajuda a entender por que reputação não pode ser avaliada apenas pela quantidade de atenção conquistada. Seu valor está na capacidade de reduzir dúvidas sobre alguém. Quando um nome carrega credibilidade, outras pessoas precisam de menos evidências para considerar uma indicação ou confiar uma responsabilidade maior. Existe um histórico trabalhando antes mesmo que o profissional perceba o tamanho da sua importância.

O contrário também acontece. Quanto maior a distância entre reconhecimento e confiança, menor tende a ser a capacidade de converter exposição em credibilidade. Nesse caso, aumentar a visibilidade pode fazer com que mais pessoas saibam quem você é, sem que isso necessariamente aumente o valor atribuído ao seu nome.

Simplesmente pensar em “como ganhar mais visibilidade?” se tornou simplista demais para profissionais que pretendem construir carreiras de longo prazo. Colher informações sobre a percepção que foi construída no mercado é o primeiro passo antes de pensar no próximo passo dentro de uma estratégia de aumento de notoriedade.

A visibilidade trabalhada da maneira certa irá colocar um nome em circulação. Mas é a reputação que determina o que esse nome passa a valer quando circula. Pense nisso e avalie se o que você projeta encontra respaldo nas suas atitudes.

Clara Laface escreve para o BE News semanalmente, com seus artigos publicados sempre às terças-feiras.

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