Transações, capital e financiamento em portos, óleo e gás e navegação
A semana mediu dois relógios. No relógio de um pregão, a Petrobras perdeu R$ 59,2 bilhões de valor de mercado na segunda-feira, primeira sessão depois do segundo turno, e recebeu da CVM um ofício sobre a declaração de sua presidente à imprensa. No relógio de 25 anos, o Nordeste pôs na rua R$ 10,2 bilhões em contratos portuários: Suape levou à consulta pública um arrendamento de R$ 1,4 bilhão; Fortaleza publicou em 23 de outubro o edital do primeiro terminal de contêineres leiloado desde a Lei dos Portos, com R$ 7,05 bilhões de contrato; Itaqui recebe propostas em 4 de dezembro para R$ 1,76 bilhão em fertilizantes. O Fundo da Marinha Mercante deu prioridade a R$ 953 milhões em treze cascos na Baía de Todos-os-Santos, entre rebocadores e empurradores que levarão minério de Corumbá ao Uruguai. A Bahiagás tem decreto de venda e não tem edital. No pacífico sul americano, a Enap chilena comprou um campo no Equador e o Peru fechou US$ 1,65 bilhão em petróleo equatoriano sem intermediário. Cotação se perde num dia; contrato de 25 anos se assina uma vez. Esta coluna lê o segundo relógio.
COMPRARAM fusões e aquisições 1
- Enap compra a Pluspetrol Ecuador por US$ 207 milhões e paga US$ 12 por barril de reserva
A Enap, petroleira estatal chilena, assinou por meio da Enap Sipetrol a compra de 100% da Pluspetrol Ecuador, dona do Bloco 10, vendida pela argentina Pluspetrol, por preço-base de US$ 207 milhões sujeito a ajustes. A produção da compradora no Equador sobe de 27 mil para 34 mil barris por dia e as reservas provadas, de 50 milhões para 67 milhões de barris. Julio Friedmann é o gerente-geral. Prazo de fechamento e financiamento não foram divulgados. Para o Brasil, a régua é US$ 12 por barril de reserva provada e cerca de US$ 30 mil por barril diário — a régua de qualquer venda de campo terrestre no Recôncavo.
INVESTIRAM capex e decisões finais de investimento 4
- Suape põe em consulta arrendamento de R$ 1,4 bilhão para contêineres e carga geral
O Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco, abriu consulta e audiência pública para o arrendamento da área SUA08, de cerca de 51 mil metros quadrados para carga geral e contêineres, com valor global de contrato de R$ 1,4 bilhão, ou US$ 273 milhões, investimento previsto de R$ 110 milhões, US$ 21,5 milhões, e prazo de 25 anos. A audiência foi em 27 de outubro e as contribuições vão até 30. Armando Monteiro Bisneto preside o complexo. A outorga mínima e a data do leilão não foram divulgadas. Para o Nordeste, o calendário é a notícia: Suape entra em consulta na mesma semana em que Fortaleza publica edital e Itaqui abre prazo de propostas.
- Fortaleza publica edital do primeiro terminal de contêineres em dez anos, com R$ 7,05 bilhões de contrato
A Antaq aprovou em 22 de outubro e publicou no Diário Oficial de 23 o edital do Leilão nº 05/2026, do terminal MUC04, no Porto de Fortaleza, o primeiro arrendamento dedicado a contêineres desde a Lei dos Portos de 2013. São cerca de 148 mil metros quadrados em Mucuripe, dois berços e 400 mil TEU por ano, investimento de R$ 450,76 milhões, ou US$ 88 milhões, e valor global de R$ 7,05 bilhões, US$ 1,38 bilhão, em 25 anos. O critério é a maior outorga e a sessão será em 9 de dezembro na B3. O diretor-geral Frederico Dias registrou que restrições a operadores já atuantes no Ceará pesarão em leilões futuros. A outorga mínima não foi divulgada.
- Itaqui abre propostas em 4 de dezembro para R$ 1,76 bilhão em fertilizantes
O edital do Leilão nº 04/2026 da Antaq, do terminal IQI16 no Porto do Itaqui, prevê R$ 147,01 milhões, ou US$ 28,7 milhões, de investimento em 21.764,72 metros quadrados para fertilizantes, com 70 mil toneladas estáticas e 1,008 milhão de toneladas por ano, 25 anos e receita bruta contratual de R$ 1,76 bilhão, US$ 344 milhões. A garantia de proposta é de R$ 17,6 milhões, as propostas entram em 4 de dezembro e a sessão é em 9 de dezembro na B3. No mesmo porto, a Emap conclui em dezembro o Berço 98, com R$ 400 milhões próprios e 8 milhões de toneladas a mais por ano. Oquerlina Costa preside a Emap. A outorga mínima não foi divulgada.
- Neltume propõe terminal de US$ 900 milhões em Montevidéu e Katoen Natie ameaça arbitragem
A chilena Neltume Ports, do grupo Ultramar, da família Von Appen, apresentou à Presidência do Uruguai proposta de um terminal de contêineres de US$ 900 milhões em Montevidéu — 940 metros de cais, 38 hectares e 1,15 milhão de TEU por ano — e retirou em caráter irrevogável a arbitragem que movia no Ciadi para apresentá-la. A belga Katoen Natie, dona de 80% da Terminal Cuenca del Plata, com concessão até 2081, respondeu que notificará disputa no mesmo Ciadi. O ministro da Economia, Gabriel Oddone, admitiu em 28 de outubro que o contrato vigente limita a possibilidade. Para o Brasil, o que está em jogo é carga da Bacia do Prata hoje atendida por Rio Grande e Santos.
FINANCIARAM crédito e project finance 3
- Credores da Braskem pedem US$ 1,85 bilhão a Petrobras e IG4 e dão prazo até sexta-feira
O comitê de credores da Braskem prorrogou para 30 de outubro o prazo para um acordo de princípio na recuperação extrajudicial sobre US$ 10,9 bilhões de dívida financeira. Os credores pedem aporte de US$ 1,85 bilhão dos acionistas — Petrobras e a gestora IG4 —; a companhia oferece até US$ 1,7 bilhão parcelado, conversão de US$ 1,85 bilhão de dívida em ações no fechamento e mais US$ 500 milhões até junho de 2029 se a alavancagem superar quatro vezes. Magda Chambriard, presidente da Petrobras, afirmou que a estatal não aporta sozinha nem amplia participação sem contrapartida equivalente. A Braskem confirmou à CVM que não há acordo final. Para a Bahia, é o polo de Camaçari que está na mesa.
- FMM dá prioridade a R$ 953 milhões em treze cascos na Bahia, com minério para o Uruguai
O Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante concedeu prioridade a R$ 953,2 milhões, ou US$ 186 milhões, em quatro projetos no Estaleiro Belov, na Baía de Todos-os-Santos, somando treze embarcações: R$ 343,85 milhões à SAAM Towage Brasil, braço da chilena SAAM, do grupo Luksic, para quatro rebocadores em 36 meses e dois de baixa emissão em 18; R$ 402,7 milhões à LHG Logística para quatro empurradores que levarão minério de Corumbá a Nueva Palmira, no Uruguai, pela hidrovia Paraguai-Paraná; e R$ 206,7 milhões à própria Belov Engenharia, para três barcaças. Prioridade não é contrato de crédito, e os agentes financeiros não foram divulgados.
- Commodore Marine lidera R$ 1,02 bilhão do FMM no Rio com sonda e semissubmersível da Petrobras
A Resolução nº 250 do Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante, publicada em 19 de outubro, detalha o restante do pacote: a Commodore Marine recebe prioridade de R$ 532,3 milhões, ou US$ 104 milhões — R$ 229,4 milhões para o navio-sonda Carolina e R$ 302,9 milhões para a semissubmersível Victoria, ambos sob contrato com a Petrobras —; o Estaleiro Aliança, em Niterói, R$ 288,9 milhões; a MSFC Florestal, R$ 155,8 milhões para 40 balsas da cadeia da Bracell no Rio Maguari; a Sulnorte, R$ 324,9 milhões para seis rebocadores azimutais em Santa Catarina; e a OceanPact, R$ 81,9 milhões. O Rio de Janeiro soma R$ 1,02 bilhão em 15 projetos. Agentes financeiros não foram divulgados.
CONTRATARAM serviços e acordos 1
- Petroperú compra 16,2 milhões de barris da Petroecuador por US$ 1,65 bilhão, a US$ 102 o barril
A Petroecuador adjudicou em 14 de outubro, e anunciou em 20, dois contratos de venda direta de cru Oriente à Petroperú, sem intermediários: 4,32 milhões de barris em seis meses e 11,88 milhões em onze, somando US$ 1,652 bilhão pela referência do WTI, para a refinaria de Talara. Sebastián Maag Pardo e Luis Suárez Carlo, gerentes-gerais das duas estatais, assinaram memorando de quatro anos; a EP Flopec transporta. O frete por embarque cai de US$ 7 a 8 milhões para US$ 1,8 milhão. A fórmula de preço não foi divulgada. Para o Brasil, é US$ 102 por barril entre duas estatais andinas — a régua da integração regional sem trading no meio.
ENTRARAM E SAÍRAM private equity e desinvestimento 1
- Bahia autoriza vender fatia da Bahiagás, com a Mitsui na preferência e R$ 1,86 bilhão a investir
O Estado da Bahia publicou em 6 de outubro o Decreto 24.839/2026, que autoriza a venda de participação minoritária na Bahiagás, distribuidora da qual detém 58,5%; a japonesa Mitsui, com 41,5%, tem preferência por trinta dias após a notificação, e o preço mínimo não pode ficar abaixo do valor patrimonial. A companhia carrega plano de investimento de R$ 1,86 bilhão, ou US$ 363 milhões, entre 2026 e 2031, com 830 quilômetros adicionais de rede. Até 28 de outubro não havia edital nem avaliação publicada; percentual, valor, modelo e prazo da venda não foram divulgados. Para a Bahia, o desenho é o dado: quem tem a preferência já é sócio.