Sudeste Export
Painel destaca impactos do aquecimento global nos portos
Tragédia no Rio Grande do Sul evidenciou os desafios impostos pelas mudanças climáticas à infraestrutura portuária
O diretor-presidente da Associação Brasileira de Terminais Privados (ABTP), Jesualdo Conceição da Silva, ressaltou a relação entre o aquecimento global e o aumento do nível do mar e afirmou que “estamos produzindo uma verdadeira bomba”, ao falar sobre as mudanças climáticas e seus impactos no setor portuário.
A afirmação foi feita nesta quarta-feira (2), durante sua participação na primeira edição do Latam Export, organizado pelo Grupo Brasil Export em conjunto com a IAPORTS. O evento ocorre no Rio de Janeiro e segue até esta quinta-feira (3).
“O mar está subindo por absorver mais calor, aumentando a evaporação e a formação de nuvens. Em março, tivemos o maior aumento de temperatura já registrado no mundo, o décimo mês consecutivo de recordes”, disse Silva. Ele defendeu medidas preventivas e o compromisso com a descarbonização no setor portuário.
A tragédia no Rio Grande do Sul evidenciou os desafios impostos pelas mudanças climáticas à infraestrutura portuária, segundo ele. Além de Silva, especialistas destacaram os impactos da crise climática e a necessidade de adaptação do setor.
A moderação do painel foi feita pela diretora-executiva da Associação Brasileira das Entidades Portuárias e Hidroviárias (ABEPH), Gilmara Temóteo, que reforçou a necessidade de investimentos em ciência para preparar os portos para os desafios climáticos.
As enchentes que ocorreram no Rio Grande do Sul entre o final de abril e o início de maio de 2024 foram consideradas a maior catástrofe climática da história do estado. A presidente do Conselho de Administração da PortosRS e do Instituto de Praticagem do Brasil, Jacqueline Wendpap, relatou a gravidade da situação à época. “O Porto sumiu. Ficamos muitos dias sem água, com dificuldades até para a entrada de navios. Porto Alegre teve um cenário devastador”, afirmou. Ela relembrou que o Porto de Pelotas teve operações interrompidas por alguns dias, enquanto o Porto de Rio Grande manteve as atividades. “Utilizamos todo o caixa disponível para dragagem emergencial, medida necessária em crises”, acrescentou.
A professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Tatiana Silva, destacou a importância do manejo adequado do solo para reduzir a vulnerabilidade das regiões atingidas. “No caso daquele evento, não havia medida não estrutural capaz de preveni-lo. A quantidade de água superou todas as projeções, derrubando as estatísticas”, alertou.