Bacia de Campos, pré-sal e novos investimentos colocam o Rio de Janeiro no centro da estratégia energética da Petrobras e do setor offshore brasileiro
Durante o Rio de Janeiro Export, durante o painel: “O papel do Rio de Janeiro na segurança energética nacional e os novos vetores de investimento no setor offshore brasileiro”, o gerente-geral da Bacia de Campos da Petrobras, Guilherme Sargenti, destacou a relevância estratégica da região para o futuro da matriz energética do país.
Segundo o executivo, a companhia vive um novo ciclo na Bacia de Campos, combinando a recuperação de campos maduros e a expansão em novas fronteiras do pré-sal. A região, que há cerca de 50 anos marcou a entrada do Brasil na produção offshore, agora enfrenta o desafio de aumentar o fator de recuperação dos reservatórios, atualmente em torno de 30%, por meio de novas tecnologias e maior eficiência operacional.
Ao mesmo tempo, a Petrobras também avança em descobertas recentes no pré-sal da própria Bacia de Campos, com indícios relevantes de hidrocarbonetos abaixo do campo de Marlim e colunas de óleo superiores a 70 metros.
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No campo estratégico, a estatal tem adotado o conceito de “adição de energia” em substituição ao termo “transição energética”. A avaliação interna é de que a demanda global seguirá em crescimento, impulsionada por expansão econômica, industrialização e tecnologias de alto consumo energético, como inteligência artificial, além da importância contínua do petróleo para a indústria petroquímica.
Para sustentar essa estratégia, a Petrobras prevê investimentos da ordem de US$ 24 bilhões na Bacia de Campos nos próximos cinco anos.
O executivo também destacou desafios importantes para o setor, como entraves regulatórios envolvendo órgãos ambientais e do setor energético, além da complexidade técnica das operações em águas profundas, que podem ultrapassar 2 mil metros de lâmina d’água e atingir até 8 mil metros abaixo do leito marinho.
Outro ponto central é o fortalecimento da cadeia de suprimentos nacional. A companhia voltou a priorizar exigências de conteúdo local como forma de reduzir a dependência externa e mitigar riscos associados a crises globais, como a recente instabilidade no fornecimento de fertilizantes durante a guerra da Rússia.