Especialista da Firjan defende integração entre modais, fortalecimento da regulação e maturidade no planejamento para destravar investimentos no setor
A ampliação e modernização da infraestrutura ferroviária no Brasil ainda esbarram em desafios estruturais que vão além do traçado das linhas. Para Rafael Poubel, especialista em estudos de competitividade (infraestrutura) da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), o país precisa avançar no planejamento integrado e na criação de condições que garantam segurança aos investidores.
O tema foi debatido em um dos painéis técnicos do Fórum Estadual Rio de Janeiro Export, realizado nesta terça-feira (28), no Píer Mauá.
Poubel defende que é preciso ampliar o uso das ferrovias para diferentes setores produtivos, garantindo demanda suficiente para viabilizar economicamente os projetos. “Quando falamos em melhorar a infraestrutura ferroviária, não só para minério, porque temos diversas cargas importantes que se poderiam utilizar, e até como uma forma de viabilizar projetos de ferrovias. Viabilizar financeiramente, ter uma demanda para estabilizar as ferrovias que nós já temos”, afirmou.
O especialista destaca que um dos principais entraves está na falta de visão sistêmica. “No Brasil a gente foca muito primeiramente no traçado, quando primeiro temos que pensar em planejamento. Falta planejamento. Falta entender que precisamos de uma rede de transporte, não de uma ferrovia”, disse. Para ele, o foco deve ser a conexão entre modais e a integração logística, e não projetos isolados.
Regulação
A regulação também aparece como ponto central para destravar investimentos. Poubel fez menção à importância do novo marco regulatório em discussão no Senado, que pode trazer mais segurança jurídica e econômica. “A gente precisa de uma regulamentação bem feita, para trazer uma segurança, seja jurídica, mas principalmente econômica de quem vai investir. Eu vou ter a volta? Eu vou ter a segurança desse dinheiro?”, questionou.
Ele reconhece avanços recentes, como o marco das ferrovias de 2021 e novos modelos de financiamento, incluindo o uso de recursos de outorgas para viabilizar projetos. Um exemplo citado é a EF-118, que utiliza valores de concessões existentes para financiar sua implantação, reduzindo riscos de descontinuidade.
Apesar disso, Poubel alerta que a falta de integração entre projetos ainda compromete os resultados. “Não adianta eu levar o trem até perto do porto, mas não pensar como é que eu tiro essa carga do trem e levo ela até o navio. Isso também vale para a indústria. Não adianta a indústria produzir se ela não consegue chegar a essa ferrovia para escoar sua produção. Não podemos depender somente do caminhão”, pontuou.
O painel contou com as participações de Delmo Pinho, assessor da presidência da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio de Janeiro; Marcos de Souza Vale, Especialista em Atração de Investimentos da ApexBrasil; e Marcos Antônio Soares Monteiro, Chefe da Divisão de Estudos Técnicos e Análise Remota da Mineração da ANM. A moderação foi do jornalista Leopoldo Figueiredo, Diretor-Geral da Rede BE News.