Projeto aposta em hidrogênio verde como insumo para metanol e diesel sintético e busca posicionar porto como polo energético
A PortosRio, Autoridade Portuária dos portos do Estado do Rio de Janeiro, estuda transformar o Porto de Itaguaí em um polo de produção de combustíveis de baixo carbono, com foco no uso de hidrogênio verde como base para metanol e diesel sintético. A iniciativa busca atender à crescente demanda do setor marítimo por alternativas mais limpas dentro de um planejamento de transição energética que acontece em todo o setor mundial.
O tema foi debatido durante o primeiro dia do Rio de Janeiro Export, Fórum Estadual promovido pelo Grupo Brasil Export, realizado nesta segunda-feira (27), no Píer Mauá.
No painel, o superintendente de Planejamento e Desenvolvimento de Negócios da PortosRio, Eduardo Miguez, a estratégia não passa pelo uso direto do hidrogênio como combustível, mas por sua aplicação industrial.
“Nós temos a intenção de desenvolver em Itaguaí uma indústria que possa colocar a produção de hidrogênio verde. Nós, particularmente, não acreditamos no hidrogênio verde como combustível, mas sim como insumo para produção de metanol e diesel sintético”, afirmou.
O projeto leva em conta a localização estratégica de Itaguaí, próximo ao distrito industrial de Santa Cruz, um dos maiores do estado. A região concentra indústrias com potencial de captura de carbono, elemento central para viabilizar a produção de combustíveis sintéticos. “Será que não podemos capturar esse CO₂ e misturar com hidrogênio e fazer essa produção de metanol ou diesel sintético de baixo carbono?”, questiona Miguez.
A discussão ganha relevância diante da movimentação global de armadores em direção a novas matrizes energéticas. “O pessoal que representa os armadores coloca muito para a gente: estamos mandando navios movidos a metanol, navios híbridos, e onde vamos abastecer? Tem metanol, tem diesel sintético, amônia, que seja”, destacou.
Cruzeiros
Rio de Janeiro é um dos principais destinos turísticos a nível mundial. Recentemente, a cidade encerrou mais uma temporada de cruzeiros, com grande movimentação de turistas nacionais e internacionais. O fortalecimento do setor faz com que a Autoridade Portuária busque soluções visando a descarbonização do turismo marítimo.
“A OPS (Onshore Power Supply) é um instrumento muito forte. Para os terminais de contêineres, carga geral, grande parte dos navios que atracam aqui não estão preparados, ainda existe uma grande discussão, mas os terminais de cruzeiros são mais modernos”, analisou o superintendente.
Durante a realização da Intermodal South América, maior feira de logística da América Latina, a Autoridade Portuária firmou um acordo de cooperação com o Porto de Miami, nos Estados Unidos, que abriga um dos principais terminais de cruzeiros do mundo.
“Pretendemos realizar uma visita técnica para saber, justamente, como o terminal lida com essa questão. Eles, por exemplo, já possuem o OPS. Hoje a fornecedora de energia do Rio de Janeiro não tem capacidade para fornecer a demanda que os navios de cruzeiros precisam”, finalizou.
O painel contou com as participações de Bruno Fonseca, Presidente da Praticagem do Brasil; Renato Regazzi, Diretor-Executivo da Diretoria Financeira, de Estratégia Corporativa e de Gestão de Riscos da AGERIO; Jones Soares, Diretor de Transporte Marítimo da Transpetro; e Thiago Lemgruber, Diretor da Hidroclean. A moderação foi da jornalista Núria Bianco, Diretora de Inteligência de Mercado do Grupo Brasil Export.