Iniciativa da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado já reúne mais de 50 participantes entre academia, indústrias e startups
O Rio de Janeiro passará a abrigar o primeiro Centro de Excelência em fertilizantes da América Latina. A iniciativa é coordenada pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado e já conta com mais de 50 entes participativos, entre academia, indústrias e startups. A informação foi divulgada pela coordenadora de Parcerias Estratégicas e Investimentos Internacionais da secretaria, Claudia Januzzi, durante o painel “Rio de Janeiro em Foco”, no Rio de Janeiro Export, fórum promovido pelo Grupo Brasil Export.
“Vocês têm ideia do volume de fertilizantes que serão desenvolvidos no Parque Tecnológico com a gestão da Secretaria?! Será benéfico para o país”, afirmou Januzzi.
O Brasil importa grande volume de fertilizantes da Rússia. Segundo a coordenadora, pesquisas em andamento no centro indicam que parte desse insumo não é adequada ao clima brasileiro.
“Nós conseguimos identificar que há otimização aos fertilizantes no Brasil, pois importamos os que não são adequados ao nosso clima”, disse. A proposta é adaptar os produtos importados às condições locais, com potencial de redução significativa da dependência externa.
Para Januzzi, o Centro integra uma agenda mais ampla de posicionamento do estado em dois eixos que considera centrais: segurança energética e segurança alimentar. “Nós falamos num mundo que precisamos cuidar de segurança energética. O Brasil, o Rio de Janeiro será o próximo”, ressaltou.
O RJ também aparece como referência em energia offshore. São 16 projetos eólicos em andamento, com um projeto piloto no Porto do Açu, e nove projetos já protocolados para licenciamento. Na área de petróleo, Januzzi citou que, se fosse um país, o Rio de Janeiro seria o décimo maior produtor de petróleo do mundo.
DESVANTAGEM FISCAL
O ambiente de negócios no estado carrega marcas de uma distorção fiscal estrutural. O economista Marcio Sette Fortes, ex-diretor do Brasil no BID e representante da Multiterminais, apresentou números que ilustram o problema. O Espírito Santo importou 186 mil veículos no último ano; o Rio de Janeiro, 20 mil. Santa Catarina movimentou 3 milhões de TEUs; o Rio, 1 milhão. A movimentação de contêineres no estado permanece no patamar de 2010.
“Por distorções econômicas de origem fiscal, o estado do Rio sangrou e sangrou bem ao longo dos últimos anos”, disse Sette Fortes. O Rio de Janeiro, segunda maior economia do país, ocupa apenas o oitavo lugar entre os estados importadores, com participação de 13% do total nacional.
Um projeto de lei aprovado pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e em fase de sanção governamental equipara os incentivos fiscais do estado aos do Espírito Santo. O PL tem como alvo principal a atração de tradings, e não apenas empresas já instaladas no RJ.
“Esse PL é pra trazer as trades pro Rio de Janeiro, trazer um movimento pra cá”, constatou a diretora da Associação Comercial do Rio de Janeiro, Célia Regina Gomes.
A presidente do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros do Estado do Rio de Janeiro, Rita Fernandes, ainda apontou que o porto opera com cerca de 40% de ociosidade. Para ela, a infraestrutura existe; o que faltou, por décadas, foi o equilíbrio fiscal. “O Rio tem tudo, tudo que você possa imaginar pra estar na frente pra liderar o comércio exterior do Brasil”, concluiu.