Projeto prevê investimento de R$ 2,5 bilhões, contratos de 20 anos, renovação da frota com embarcações elétricas e modernização de terminais em diferentes regiões do estado
O Governo do Estado de São Paulo publicou na última quarta-feira (14), no Diário Oficial, a homologação e a adjudicação da Parceria Público-Privada (PPP) do Sistema de Travessias Hídricas. Com a decisão, o Consórcio Acqua Vias SP foi confirmado como vencedor definitivo do certame.
O consórcio é formado pelas empresas BK Consultoria e Serviços, Internacional Marítima, Rodonave Navegações, Zetta Infraestrutura e Participações e Innovia Soluções Inteligentes. A homologação encerra a etapa de concorrência do projeto e dá início à fase pré-contratual, que inclui o cumprimento das exigências formais para a assinatura do contrato. Segundo o governo estadual, a assinatura está prevista para ocorrer ainda neste semestre.
O projeto da PPP prevê investimento total estimado em R$ 2,5 bilhões e terá prazo contratual de 20 anos. Entre os principais pontos está a aquisição de mais de 40 novas embarcações, sendo a maioria com propulsão 100% elétrica. A iniciativa também contempla a requalificação e ampliação de 20 terminais de travessias em diferentes regiões do Estado de São Paulo.
Além das embarcações e dos terminais, o escopo do projeto inclui a implantação de novas oficinas de manutenção, centros de controle operacional, cabines automáticas de cobrança e sistemas avançados de automação e segurança, com o objetivo de modernizar a operação das travessias hídricas estaduais.
O Consórcio Acqua Vias SP venceu o leilão realizado na B3, em novembro de 2025, ao apresentar uma proposta com desconto de 12,60% sobre o valor máximo do preço unitário por partida estabelecido no edital. O modelo de remuneração foi um dos critérios centrais da concorrência.
Durante a fase de estruturação, a PPP do Sistema de Travessias Hídricas tornou-se o primeiro projeto do Brasil a receber a certificação internacional Blue Dot Network. A certificação é concedida pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e reconhece projetos que atendem a padrões internacionais relacionados à governança, à sustentabilidade ambiental e à responsabilidade social.
De acordo com as estimativas apresentadas pelo governo estadual, a modernização do sistema de travessias permitirá a redução de até 18 mil toneladas de emissões de dióxido de carbono (CO₂) por ano. O impacto está associado, principalmente, à substituição gradual de embarcações movidas a combustíveis fósseis por modelos elétricos.
O projeto abrange diversas linhas de travessias consideradas estratégicas no Estado. Entre elas estão São Sebastião–Ilhabela, Santos–Guarujá, Bertioga–Guarujá, Cananeia–Ilha Comprida, Iguape–Jureia e Bororé–Grajaú, além de outras ligações aquaviárias operadas pelo sistema estadual.
Segundo o governo, a iniciativa deverá beneficiar áreas de grande relevância econômica e populacional, além de melhorar o desempenho operacional em períodos de maior demanda. O modelo da concessão prevê que a concessionária reforce a frota em feriados prolongados e na alta temporada, com ampliação do número de viagens e redução do tempo de espera dos usuários.
Com a homologação e a adjudicação publicadas, o projeto avança para a etapa final antes da formalização do contrato, que permitirá o início das ações previstas na PPP do Sistema de Travessias Hídricas no Estado de São Paulo.