Sudeste Export
Startups apresentam soluções para desafios logísticos no Inova Export
Uma das ferramentas utiliza o celular para detalhar processos operacionais, como informações sobre recebimento de cargas
Representantes de três startups que oferecem soluções de infraestrutura e logística apresentaram seus principais projetos voltados aos setores durante o Inova Export, realizado nesta terça-feira (1º), no Rio de Janeiro. A programação integra o Fórum Sudeste Export, que ocorre até quinta-feira (3).
Guilherme Werneck, CEO da Moki, explicou que a empresa desenvolveu uma ferramenta que utiliza o telefone celular para facilitar a execução das tarefas diárias dos funcionários de transporte de cargas, que dependem do cruzamento de dados e informações para operar. O instrumento é capaz de realizar a análise de resultados em processos como recebimento de mercadorias, expedição, auditoria de pallets, inventário e recolhimento, que frequentemente apresentam erros ou, se não supervisionados, podem gerar oportunidades para fraudes.
“Os ganhos que temos obtido de nossos clientes são notáveis, com eficiência de tempo e redução de custos, além de estarmos em conformidade com uma pauta ESG (sigla, em inglês para Ambiental, Social e Governança) promovendo um processo 100% digital”, afirmou.
Werneck mencionou que, por meio do telefone, é possível utilizar tecnologias que facilitam a identificação dos tipos de carga, permitindo, com um “único clique”, ler diversos tipos de equipamentos.
“Trabalhar no celular nos permite também utilizar tecnologias como realidade aumentada para verificar, ao passar o telefone por uma carga, se ela está no lugar certo, com o transportador certo, ou se o conteúdo precisa de um tratamento diferenciado que não está sendo realizado”, disse.
“A Moki é uma empresa que tem a missão de enfrentar os desafios que geram impacto financeiro negativo nas operações logísticas”, completou.
Condições climáticas
Luiz Filippe Silva, CEO da Nimbus Meteorologia, contou que a startup é focada na gestão de riscos de impacto climático, no planejamento e pré-execução de operações vulneráveis e críticas dentro dos setores ferroviário, rodoviário, portuário e também com construtoras.
“Quando falamos de tempestades, ventos fortes, estamos tratando de vários problemas para a cadeia de infraestrutura, desde atrasos devido a paralisações de operações, até a perda de materiais, perda de mão de obra, desperdícios e prejuízos financeiros.”
A empresa monitora os índices climáticos e realiza um planejamento dinâmico com até 15 dias de antecedência frente a um possível desequilíbrio, indicando janelas de oportunidade para a execução de tarefas, oferecendo ações preventivas e não apenas reativas.
“Hoje, absorvemos diferentes tipos de dados: climáticos externos, satélites, radares e estações meteorológicas, cruzando essas informações com as do cliente”, detalhou.
“No tempo real, monitoramos as tempestades e emitimos avisos para as equipes de campo, permitindo que se mobilizem rapidamente. Consolidamos esses dados para rápida exportação e elaboração de relatórios, proporcionando mais acesso à informação”, finalizou.
Entregas
Anderson Marcelo, CEO da Delivery das Favelas, apresentou uma plataforma que conecta a logística entre moradores e entregadores de comunidades e regiões periféricas, distantes dos centros urbanos.
Segundo Marcelo, a ideia surgiu para resolver os problemas de três pilares: o morador de favela, que muitas vezes enfrenta a falta de CEP ou precisa colocar o endereço de outra pessoa para receber suas compras; o lojista, que não tem um serviço que o conecte ao mercado dentro da região; e os entregadores, que percorrem longas distâncias de 50 a 70 quilômetros por dia, em busca de melhores oportunidades.
“O mercado é gigantesco: no ano passado, o consumo dentro das favelas superou R$ 200 milhões e, contabilizando o número de moradores, daria a quarta cidade mais populosa do Brasil, com mais de 17 milhões de pessoas”, destacou.
Via serviço de marketplace, Marcelo informou que a plataforma conecta diversos modais como carro, motos e bicicletas, em comunicação direta com empresas e serviços de e-commerce para que as entregas das mercadorias sejam realizadas.
“Vamos expandir para São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e o Nordeste, possivelmente até o final do ano. Queremos estar em qualquer favela, independentemente do tamanho; são mais de 13 mil em todo o Brasil, e fora do país também há grandes oportunidades.”