Ferrovias
Transnordestina prepara operação para transportar minerais no Ceará
TLSA prevê área dedicada a cargas minerais no terminal do Pecém e já recebe consultas de mineradoras para movimentar até 5 milhões de toneladas por ano
A Transnordestina Logística S.A. (TLSA), responsável pela construção e operação da Transnordestina, prepara a ferrovia para ampliar o transporte de cargas minerais no Ceará, incluindo minerais críticos utilizados pela indústria de tecnologia. A estratégia acompanha a procura de mineradoras de pequeno porte interessadas em utilizar a ferrovia para escoar a produção até o Porto do Pecém.
A informação foi divulgada pelo diretor-executivo de infraestrutura e logística da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Tufi Daher Filho. A CSN é controladora da TLSA.
Segundo o executivo, a empresa já é procurada por mineradoras interessadas em transportar entre 4 milhões e 5 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. A demanda levou a companhia a planejar uma área específica para cargas minerais no terminal da TLSA na região do Porto do Pecém.
Além do minério de ferro, a estratégia contempla outras cargas minerais com potencial de exportação pelo complexo portuário cearense. Nesse cenário, entram também os chamados minerais críticos, utilizados em diferentes segmentos da indústria, especialmente em tecnologias associadas à transição energética.
Daher Filho destacou o potencial brasileiro para o desenvolvimento dessa cadeia e defendeu que o país avance no processamento dos minerais antes da exportação.
Operação em testes
A Transnordestina já realiza testes para o transporte de cargas em um trecho da ferrovia entre Bela Vista do Piauí (PI) e Iguatu (CE). Os primeiros carregamentos são principalmente de grãos, mas a companhia trabalha na ampliação do portfólio de cargas que poderão utilizar a malha.
A entrada dos minerais no planejamento ocorre paralelamente ao avanço das obras da ferrovia no Ceará.
Na segunda-feira (21), foi entregue o lote 6 da Transnordestina, que conecta Quixeramobim a Quixadá, no Sertão Central do Estado. De acordo com Daher Filho, outros 70 quilômetros, correspondentes aos lotes 7 (Quixadá–Itapiúna) e 11 (Caucaia–Porto do Pecém), devem ser concluídos em 2027.
Os três lotes restantes também têm cronograma previsto para o próximo ano. O lote 8, entre Itapiúna e Baturité, tem previsão de conclusão até junho de 2027. Já os lotes 9, entre Baturité e Aracoiaba, e 10, entre Aracoiaba e Caucaia, devem ser entregues até dezembro.
Os lotes 9 e 10 são executados pela Ágis Construção, empresa que também participou das obras da Linha Leste do Metrô de Fortaleza.