Sudeste Export
Uso de IA para previsão do tempo já evita paralisações em portos
Painel do Latam Export mostra que, com modelos avançados, terminais vêm se tornando mais resilientes a desafios climáticos
A inteligência artificial (IA) está revolucionando as operações portuárias, tornando-as mais eficientes, seguras e competitivas. Esse foi o tema central do painel “Inteligência artificial em portos – a realidade dos projetos em operação”, realizado durante o primeiro dia do fórum Latam Export, na quarta-feira (2), no Rio de Janeiro. Entre os especialistas que debateram o assunto, Mateus Lima, CEO da i4sea, destacou a importância da IA na otimização logística e na redução de riscos nos terminais marítimos.
Lima explicou como sua empresa utiliza inteligência artificial e modelagem preditiva para melhorar as operações portuárias. “Nós fazemos um trabalho separado em passos para que as pessoas se sintam mais cômodas com inteligência artificial. O primeiro passo é fazer um diagnóstico no porto. Porque o porto fecha? Fecha por onda, mas que onda? Por vento, mas que vento? Qual a direção? Esse diagnóstico é muito importante porque captamos os dados do porto e os comparamos para que o modelo seja treinado. E a partir desse momento nós temos uma análise completa de todos os riscos climáticos que o terminal tem. E com essa análise nós conseguimos prever o próximo fechamento de porto, o próximo evento extremo que poderá afetar as operações”, explicou.
Um exemplo prático do impacto dessa tecnologia pode ser visto no Porto de Mejillones, no Chile, o maior exportador de minério do país. Segundo Lima, a i4sea implementou sua solução na instalação, permitindo prever com maior precisão as condições climáticas e oceânicas. Isso reduziu o número de paradas operacionais inesperadas. “Eles conseguiram operar mais com a mesma capacidade”, afirmou.
Ele acrescentou que o grupo Ultraport, responsável pelo terminal, já planeja expandir a tecnologia para outros portos sob sua administração no Chile.
Outro case de sucesso apresentado por Lima aconteceu em Manaus (AM), que vem sofrendo com períodos severos de estiagem nos últimos anos. A i4sea foi procurada pela Aliança, empresa do Grupo Maersk, para desenvolver uma solução que antecipasse os períodos de seca. “E só era possível fazer essa solução se tivesse inteligência artificial deep learning envolvida porque não tinha como estabelecer um padrão com a quantidade de dados disponível”, explicou. Deep learning é, basicamente, uma técnica de IA que permite aos computadores aprender por si próprios.
Com o uso da tecnologia, a empresa conseguiu gerar 33 cenários diferentes, permitindo uma previsão da seca com até 90 dias de antecedência. “Hoje conseguimos gerar 33 cenários com inteligência artificial que dão uma antecipação de 90 dias da seca. Então, nós conseguimos pegar os níveis mais críticos. E com isso, o plano de contingência pode ser feito com antecedência muito maior. Com um plano de um dia você vai gastar muito mais do que com um de 90 dias. Então, a inteligência artificial vem para dar esse benefício”, afirmou Lima.
Segurança
Com mediação da CEO da Ions Innovation, Lindalia Sofia, o painel também contou com a participação de Carlos Aguilar Medrado, diretor comercial e de Administração do Sistema Portuário Nacional de Veracruz, no México. Ele destacou como a inteligência artificial vem sendo implementada no terminal, trazendo avanços em diversas áreas. Entre as principais contribuições está o reforço da segurança, especialmente no combate ao tráfico internacional de drogas.