Petróleo e Gás
Venda do controle da Braskem avança e depende de aval da Petrobras
Fundo ligado à IG4 acerta compra da participação da Novonor por meio de conversão de dívida em ações, prevê acordo de governança compartilhada
A possível mudança no controle da Braskem avançou com a formalização de um acordo entre a Novonor (ex-Odebrecht) e um fundo ligado à IG4 Capital, operação que ainda depende de avaliação da Petrobras, segunda maior acionista da petroquímica e detentora de direitos que podem alterar o desfecho da transação.
O negócio envolve a venda da participação da Novonor para o fundo Shine I Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, que é assessorado pela IG4 Capital, gestora especializada em reestruturação de empresas. A operação foi estruturada após meses de negociação e ocorre em meio ao processo de recuperação financeira da Braskem, marcada por elevado endividamento.
Pelo acordo, o fundo deverá assumir o controle da companhia com a transferência de 226,3 milhões de ações ordinárias e 47,2 milhões de ações preferenciais classe A, atualmente detidas pela Novonor. Com isso, passará a concentrar 50,11% do capital votante e cerca de 34,32% do capital total da petroquímica. A Novonor, por sua vez, reduzirá sua participação para aproximadamente 4%.
A transação não prevê pagamento em dinheiro. O modelo adotado é de conversão de dívida em participação acionária, por meio da entrega de três debêntures para cada ação adquirida. A estrutura busca contribuir para a redução do endividamento da Braskem e faz parte da estratégia de reestruturação financeira da empresa.
O Shine I FIP já informou que pretende liderar esse processo com uma equipe especializada, formada por profissionais com experiência em reestruturação e gestão de companhias em situação semelhante. Em comunicação à Braskem, o fundo indicou que a intenção é reorganizar tanto a estrutura financeira quanto a operação da empresa.
A proposta apresentada também prevê uma atuação conjunta com a Petrobras, que hoje figura como segunda maior acionista e já manifestou interesse em ampliar sua influência na petroquímica. Segundo o fundo, a condução da reestruturação seria feita em parceria com a estatal, com o objetivo de retomar a geração de valor para acionistas e para o país.
Nesse contexto, o fundo se comprometeu a firmar um novo acordo de acionistas com a Petrobras. O documento, conforme indicado em carta vinculante enviada à estatal, estabelece uma governança compartilhada, com divisão igualitária de assentos no Conselho de Administração e na diretoria executiva. O modelo também prevê a obrigatoriedade de consenso nas deliberações tanto do conselho quanto da assembleia geral da companhia.
Petrobras se manifesta
A Petrobras confirmou ter sido formalmente notificada sobre a assinatura do contrato de compra e venda judicial de ações e outras avenças entre Novonor, sua subsidiária NSP Investimentos e os fundos Shine I — tanto o de participações quanto o de direitos creditórios, ambos administrados pela Vórtx Capital e assessorados pela IG4. A operação está sujeita ao cumprimento de condições suspensivas, incluindo aprovações regulatórias e judiciais.
A diretoria executiva da estatal analisa os termos da operação para decidir sobre o eventual não exercício dos direitos de preferência e de tag along previstos no acordo de acionistas vigente da Braskem. Esses direitos permitem à Petrobras tanto adquirir as ações em condições equivalentes quanto acompanhar a venda em caso de mudança de controle.
A análise ocorre com base em deliberação já aprovada pelo Conselho de Administração da Petrobras em fevereiro de 2026, e envolve também a avaliação do novo acordo de acionistas proposto pelo fundo. A companhia informou que os temas estão sendo examinados simultaneamente pelas instâncias competentes e que eventuais desdobramentos relevantes serão comunicados ao mercado.
Além da decisão da Petrobras, a conclusão do negócio depende de outras condições, como a obtenção de autorizações judiciais e a aprovação de órgãos antitruste. Caso a operação seja concluída, o fundo terá ainda a obrigação de realizar uma oferta pública de aquisição (OPA) para as ações que permanecerem em circulação no mercado, garantindo aos acionistas minoritários o direito de vender seus papéis nas mesmas condições acordadas com a Novonor.
O Shine I FIP indicou que, apesar da OPA, não pretende cancelar o registro de companhia aberta da Braskem, mantendo a empresa listada em bolsa.