Corredor Metropolitano Santos-São Vicente
O Corredor Metropolitano Santos-São Vicente propõe um novo acesso rodoviário à área insular de Santos a partir da Rodovia dos Imigrantes, o qual pode absorver parte substancial dos fluxos urbanos destinados ao município, além de criar uma conexão com o futuro túnel Santos-Guarujá.
Duas matérias jornalísticas recentes confirmaram a intenção da Autoridade Portuária de Santos (APS) de expandir a poligonal do Porto Organizado de Santos de forma a incluir parte da área continental de São Vicente (SV), com ênfase em atividades retroportuárias. Essa expansão já deveria ter acontecido na recente alteração da poligonal, mas deve ocorrer nos “próximos capítulos”, assim como a área do antigo aterro sanitário da Alemoa, em Santos, parte de um processo de solução de problemas locacionais de terminal portuário atualmente em local impróprio, e sociais, transferindo famílias de áreas portuárias para zonas residenciais.
Alinhada com essa proposta, a Prefeitura de São Vicente decidiu incentivar e incrementar esse tipo de atividade que, seguramente, terá impacto significativo na economia local e na geração de empregos.
Não é muito diferente da proposta de Cubatão (SP), que também tem algumas áreas previstas para incorporação na poligonal, e defende a proposta de Conexão Indústria-Porto.
Bem antes dessas duas propostas municipais, a Prefeitura de Santos já havia apresentado a do Corredor Metropolitano Santos-São Vicente, que chegou a ser incluído no PAC 2 – Mobilidade Urbana, em 2015, mas que não evoluiu, por falta do imprescindível aporte de recursos federais.
A figura a seguir mostra o traçado conceitual previsto.

Fonte: PMS.
A área prevista em São Vicente é majoritariamente greenfield, com potencial para utilização dos modos: ferroviário (concessão da Rumo Logística) e rodoviário (Rodovia Governador Mário Covas, BR-101, que no trecho paulista corresponde à SP-55).
O transporte aquaviário não é economicamente viável, em função das interferências existentes, tais como: gabarito aéreo de pontes rodoviárias e ferroviárias e dutos. O alteamento necessário para a passagem de comboios impactaria negativamente áreas terrestres, principalmente no caso de ferrovias. Além disso, restrições ambientais à dragagem de vias navegáveis da região, que já prejudicaram a implantação desse modo de transporte, de maior eficiência energética (caso da “Hidrovia do Sal”), tendem a representar impedâncias adicionais.
Pois bem, a implantação da Terceira Pista da Rodovia dos Imigrantes representará aumento da demanda da Via Anchieta, que permanece o principal acesso à área insular de Santos e à margem direita do Porto de Santos.
A Conexão Indústria-Porto proposta pela Prefeitura de Cubatão prevê a criação de uma rota alternativa à Via Anchieta, mas é preciso avaliar como conciliá-la com os projetos da APS, do Governo do Estado de São Paulo e da Prefeitura de Santos para a região da Alemoa, alguns já em andamento, alguns cuja implantação é iminente.
O fato é que, querendo ou não, a Via Anchieta terá aumento de demanda, seja pelos novos afluxos oriundos da Terceira Pista da Imigrantes, seja pela implantação de atividades retroportuárias na área continental de São Vicente, seja pela própria tendência de aumento do trânsito de veículos de carga destinados à margem direita do Porto de Santos, tendencial e, ainda mais, com a futura entrada em operação do Tecon Santos 10.
O Corredor Metropolitano Santos-São Vicente propõe um novo acesso rodoviário à área insular de Santos a partir da Rodovia dos Imigrantes, o qual pode absorver parte substancial dos fluxos urbanos destinados ao município, além de criar uma conexão com o futuro túnel Santos-Guarujá. Em tese, essa solução tende a aumentar a capacidade da Via Anchieta para veículos de carga.
Esse corredor inclui a implantação de um sistema de túneis interligando o bairro Caneleira, na Zona Noroeste, com o bairro Marapé, na Zona Leste.
Essa proposta ficou “adormecida” por algum tempo, mas foi retomada no âmbito do processo de desestatização da Autoridade Portuária de Santos, em 2012, quando a Prefeitura de Santos pleiteou sua inclusão como compromisso de investimento do futuro concessionário, com a justificativa da melhoria da capacidade da Via Anchieta para veículos de carga destinados ao complexo portuário.
Na época, o Ministério da Infraestrutura considerou a elaboração de um Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (Evtea) para aferir se esse empreendimento teria efetivo impacto positivo para o porto, mas a mudança de governo federal abortou o processo de desestatização.
A Prefeitura de Santos continua considerando essa obra relevante em termos de mobilidade interurbana e impactos positivos também para as operações portuárias, ainda mais com a expansão da poligonal para São Vicente.
Por conta disso, durante o 7º Fórum Regional do Plano de Logística e Investimentos do Governo de São Paulo (PL-SP 2050), ocorrido em 26/02/2026, em Santos, a Prefeitura, entre outros pleitos de inclusão nesse processo, sugeriu que a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) também considere o Corredor Metropolitano Santos-São Vicente como obra relevante.
A Região Metropolitana da Baixada Santista vive um momento auspicioso.
A possibilidade de atração de atividades de porto-indústria/zona de processamento de exportação (ZPE), a expansão da Poligonal do Porto Organizado de Santos e a implantação de novas atividades portuárias e retroportuárias, públicas e privadas, com ênfase no Terminal Tecon Santos 10, e a proposta de criação de um órgão licenciador ambiental regional tendem a favorecer a maior participação da Região Metropolitana da Baixada Santista (RMBS) no PIB estatual, pela diversificação econômica e geração de empregos em todos os níveis.
São vários projetos e inúmeras propostas, todas pertinentes. Mas é preciso analisá-las de forma holística, para potencializar seus aspectos positivos e mitigar, tanto quanto possível, os negativos.
Para tanto, além da análise técnica, é imprescindível que haja massa crítica em prol do desenvolvimento sustentado da região, contrapondo as impedâncias e radicalismos de praxe.
Adilson Luiz Gonçalves escreve semanalmente para o Jornal BE News, com seus artigos publicados tradicionalmente na edição de sábado e domingo e, eventualmente, na de quarta-feira.