sábado, 25 de abril de 2026
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Opinião

Editorial

Modal hidroviário, o caminho para o desenvolvimento sustentável

A recente aprovação do Estudo de Vias Aquaviárias Interiores Economicamente Navegáveis (VEN), pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), revela um avanço, ainda que modesto, na infraestrutura de transporte brasileira. O aumento de 279 quilômetros na extensão dessas vias hidroviárias nos últimos dois anos, totalizando 20,4 mil quilômetros, demonstra um esforço inicial em reverter o histórico de subutilização desse modal.

O estudo confirma o potencial inexplorado do País: a malha hidroviária navegável corresponde a apenas 49% do previsto no Plano Nacional de Viação, o que indica um vasto campo para o desenvolvimento logístico. O diretor da Antaq Caio Farias corretamente afirmou que o transporte hidroviário é essencial para a integração territorial e o equilíbrio da matriz logística, além de ser um vetor para a articulação com países vizinhos da América do Sul.

A importância da ampliação da extensão das vias hidroviárias economicamente navegáveis reside no fato de que o modal fluvial é um pilar de sustentabilidade e eficiência. O transporte por rios emite até cinco vezes menos poluentes que o rodoviário e 1,5 vez menos carbono que o ferroviário, em relação às toneladas movimentadas. Essa vantagem ambiental, somada à redução de custos de operação e à maior segurança logística, coloca as hidrovias em uma posição estratégica para o desenvolvimento nacional.

O crescimento da malha, especialmente na Região Norte, reforça o papel estratégico do modal hidroviário para o escoamento da produção nacional até os mercados consumidores e das exportações nacionais. O investimento em infraestrutura fluvial, como defendeu o ministro Silvio Costa Filho, é fundamental para tornar o transporte mais eficiente e ampliar a competitividade das cadeias produtivas do País.

Para que o Brasil aproveite plenamente seu potencial de mais de 42 mil quilômetros de rios navegáveis, é crucial defender a adoção de políticas públicas para impulsionar esse modal que, durante décadas, foi relegado a segundo plano pelas autoridades. A criação do Plano Geral de Outorgas (PGO 2023), que definiu seis hidrovias como prioritárias para concessão, é um passo na direção certa.

A concessão da Hidrovia do Paraguai, prevista para o primeiro semestre de 2026, com o objetivo de garantir um calado operacional que permita a trafegabilidade na maior parte do ano, é um marco. O projeto, que beneficiará o escoamento de grãos e minérios do Centro-Oeste, demonstra que a parceria com o setor privado é a chave para acelerar a modernização da infraestrutura fluvial. O Brasil precisa de ações coordenadas e investimentos contínuos para transformar seus rios em corredores logísticos, garantindo a integração continental e a sustentabilidade de seu crescimento.

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